Arquivo da categoria ‘RELIGIÃO AFRO – CANDOMBLÉ E UMBANDA’

É comum ouvirmos história de pessoas mortas que se comunicam com os vivos. Vozes, fantasmas, visões, fenômenos que chamam a atenção das pessoas sobre a possibilidade de comunicação deste mundo com “outro”. No Brasil a mais fiel representante da comunicação entre o mundo sobrenatural e o mundo dos homens é a tradição afro-brasileira. Dos cultos africanos originais surgiram a umbanda, o candomblé e a quimbanda.

Nascida no Rio de Janeiro nos anos 20, a UMBANDA é uma mistura de crenças e rituais africanos e europeus. As raízes umbandistas encontram-se em duas religiões trazidas pelos escravos: a cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação nagô. Também é chamada de magia branca que no meio popular significa fazer o bem e combater a magia negra.

A Umbanda considera o universo povoado por entidades espirituais, guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado, médium, que os incorpora. Esses guias se apresentam por meio de figuras como caboclo, preto-velho e pomba-gira. Os elementos africanos misturam-se ao catolicismo, criando a identificação de orixás com santos.

Com grandes terreiros em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia, o CANDOMBLÉ, por sua vez, cultua os orixás. Estas entidades são deuses das nações africanas dotados de sentimentos humanos como ciúme e vaidade. Calcula-se que um terço da população brasileira participe de rituais do Candomblé já que a maioria muitas vezes vai ao terreiro ao mesmo tempo em que é adepta de outras religiões.

O Candomblé chegou ao Brasil entre 1600 e 1900 com o tráfico de escravos negros da África Ocidental. Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses que o consideravam feitiçaria. Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos, ocorrendo o sincretismo religioso. Os orixás Iemanjá (força das águas) e Iansã (raios, tempestades, ventos) são associados a Nossa Senhora da Conceição e Santa Bárbara, respectivamente.

A ramificação afro-brasileira que pratica magia negra, a QUIMBANDA, também é chamada pejorativamente de macumba. A palavra magia negra para os europeus significava missa negra, mas para os bantos quer dizer o feitiço que através da magia controlava os mistérios da vida e da morte.

Na Quimbanda são realizados despachos com animais como galos e galinhas pretas, por exemplo, pólvora, objetos da pessoa a quem se quer prejudicar, dentes, unhas ou cabelo de pessoas e animais. Há ainda a prática do envultamento, comum também no vodu haitiano. É a construção de um boneco de pano ou qualquer outro material, desde que pertença à pessoa a quem se quer prejudicar, e a seguir alfinetes ou pregos para transpassar o corpo da imagem. Os quimbandeiros têm como ponto principal de seu culto a invocação ou “Gira dos Exus”, que podem estar em estado de evolução ou atraso (quiumbas, obssessores).

 

Encontrei alguns textos da Sra. Roseli Fischman e fiquei surpreso com o pouco conhecimento que esta senhora possui sobre o ensino religioso. Principalmente o desrrespeito para com o professor desta disciplina.

Um de seus textos no jornal “Estado de São paulo” dizia o seguinte: 

Daí o professor ministra a aula quando quiser, do jeito que quiser e segundo a própria fé. Ele não diz às crianças: “Vou falar sobre religião, saiam da sala se quiserem”. Isso é grosseria e ignorancia!

Como ela pode afirmar isso categoricamente? Seria interessante se os professores de todas as disciplinas discutirem o ateísmo? Falta compreensão por parte desta senhora de que país ela reside.

Em meu Estado o professor de Ensino Religioso deve ter formação em “Ciencias da  Religião”. E pelo menos aqui, temos duas universidades “laicas” que promovem a formação deste profissional.

Algumas discussões desta senhora foram pertinentes como a que narra o posicionamento do Brasil e o Vaticano. “Coisa que a maioria dos profissionais do Ensino Religioso do país não concordou. Para isso é só consultar os diversos blogs sobre o aasunto, Orkut nas comunidades sobre o assunto. Daí ela generalizar e mensurar posicionamento no minimo grosseiro.

Deixa pra lá… “Dra.” Roselí deve ter seus “motivos” anti religiosos…” que inclusive ela não sabe a que se destina o ensino religioso nas escolas. NÂO SABE!

 

Muita gente confunde: Catimbó, Macumba, Xangô, Candomble e Umbanda. Achando que todas as nomenclaturas tem o mesmo significado. EM outros posts colocamos outras definições..estudaremos aqui, mas algumas.

CATIMBÓ
Catimbó é um conjunto de práticas religiosas brasileiras, oriundas de raiz indígena e com diversos elementos do cristianismo e, dependendo do lugar onde é praticado, influências africanas também notáveis. O Catimbó baseia-se no culto em torno da planta Jurema.
Muitos praticantes minimizam a origem indígena e a influência africana devido ao preconceito que essas culturas sofrem por parte de algumas mentalidades; por esse motivo, tais praticantes sustentam que o Carimbó é somente calcado no cristianismo, o que é uma mentira em absoluto. A influência afro-ameríndia é notada em qualquer reunião de Catimbó no país.
Não há dúvida que o Catimbó é xamanista com muita práticas de pajelança, mas é baseado em Mestres, apesar de os Caboclos também participarem. O Catimbó não é muito diferente ou melhor que outros cultos, e não se pode dizer que suas entidades sejam de nível superior, pelo contrário são semelhantes.
O Catimbó é uma reunião alegre e festiva quando em sua forma de roda (ou gira), mas, pela falta da corrente doutrinária formal vários formatos serão encontrados, dependendo da “ciência”, vidência, maturidade e ética de quem o dirige.
O Catimbó cultua ervas, símbolos e santos católicos, mas se tivermos que caracterizar qual é o principal objeto de culto não há dúvida que são as ervas. O Catimbó tem como principal elemento a árvore da Jurema e todos os Mestres tem um erva de fundamento.
ORIGEM DO CATIMBÓ
O Catimbó é, sem duvida nenhuma, de origem indígena brasileira. Sem voltar às descrições antigas da pajelança e aos primeiros contatos entre o catolicismo e a religião dos índios, inclusive àqueles fenômenos de “santidade” que conhecemos tão bem através das informações do Tribunal do Santo Ofício, sem tentar traçar a genealogia histórica do Catimbó, encontramos ainda hoje entre o puro índio e o homem do Nordeste toda a gradação que nos conduz pouca a pouco do paganismo do Catimbó.
O Catimbó de hoje é o resultado desta fusão da prática pagã inicial dos índios com o catolicismo sobre o qual construiu a base da “ religião” . É impossível dissociar o Catimbó do catolicismo e de outras tradições européias, provavelmente adquiridas dos holandeses, mesmo após as influências que recebeu do Candomblé e do kardecismo.
Podemos considerar que a mesma falta de força étnica que fez com que os índios fossem antropologicamente sobrepujados por outras culturas fez com que o Catimbó perde-se a sua identidade índia original (pajelança) e adquirisse os rituais importados de outras práticas religiosas mais “fortes”. Neste caso contribuiu muito a falta da cultura escrita que fez com que na medida em que os próprios índios eram extintos a prática religiosas Xamanista fosse sendo perdida ou diluída.
Entretanto do Xamanismo original foram preservadas as ervas e raízes nativas como base de todos os trabalhos e na prática da fumigação com fumaça de cachimbos e fumos especialmente preparados o elemento mágico de difusão.
Para o índio, o fumo é a planta sagrada e é a sua fumaça que cura as doenças, proporcionando e êxtase, dá poderes sobrenaturais, põe o pajé em comunicação com os espíritos.
Os primeiro elementos do Catimbó que devemos lembrar é o uso da defumação para curar doenças, o emprego do fumo para entrar em estado de transe, a idéia do mundo dos espíritos entre os quais a alma viaja durante o êxtase, onde há casa e cidades análogas às nossas. A grande diferença é que a fumaça na pajelança é absorvida, enquanto no Catimbó ela é expelida. O poder intoxicante do fumo é substituído aqui pela ação da jurema.
O Catimbó se desenvolveu diferentemente no interior e no litoral, nas capitais. As influências de outras práticas religiosas mais fortes em cada um deste locais acabam determinando o formato do Catimbó. Podemos dizer que quanto mais para o interior mais simples ele será devido a menor influência das religiões africanas.
Os caboclos podem ser vistos no Catimbó, mas, não são eles a base ou o objetivo principal. Catimbó trabalha através de Mestres.
Como já citado o fato de entidades típicas de Umbanda aparecerem no Catimbó devido a origem do médiuns e ao fato de existir uma entidade comum chamada de Zé Pelintra faz com que se imagine que Catimbó seja uma forma de Umbanda no Nordeste, mas não é. Muito se tem pesquisado sobre a origem do Zé Pelintra da Umbanda no Catimbó, uma vez que esta é uma entidade urbana que nada tem nada com a origem dos mestres.
Tudo no Catimbó se faz com a linha de licença, onde se fala, sisudamente: “Com o poder de Jesus Cristo, vamos trabalhar”. Das centenas canções recolhidas no arquivos catimbozeiro, nenhuma alude a um encantado e infalivelmente a Deus, Santíssima Trindade, Santos, às almas. Só encontrei duas que se dirigiam às estrelas e ao sol. O espírito é religioso, formalístico, disciplinado, respeitoso da hierarquia celestial. Ninguém numa Macumba ou terreiro de Candomblé, admite licença de Jesus Cristo para Xangô, nem santo católico atende ao chamamento insistente dos tambores.
Catimbó não tem Exu e não tem Orixá sincretizado em Santo. No Catimbó Santo é Santo e Mestre é Mestre. Mestre trabalha na direita e a esquerda, faz e desfaz
O CATIMBÓ É O CULTO A JUREMA
O Catimbó é o culto a árvore da Jurema. A jurema é uma árvore que floresce no agreste e na caatinga nordestina. Da casca de seu tronco e de suas raízes faz-se uma bebida mágico sagrada que alimenta e dá força aos “ encantados do outro mundo” . Acredita-se também que é essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem, mas o Catimbó existe sem que seja necessário fazer ou beber a Jurema, Catimbó não é Santo Daime. Tal árvore é símbolo e núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos povos indígenas que habitaram o Nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz o uso ritual desta bebida.
Este culto se difundiu dos sertões e agrestes nordestinos em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das outras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao do além, embora amarga (muito amarga…), dá sapiência aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido a Jurema surge como a árvore que escondeu a “ sagrada família” dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico religiosas.
Ainda nessa perspectiva, juntaram-se na constituição desta forma de religiosidade popular outros elementos de origem européia como a magia e o culto aos santos do catolicismo popular.
A referência a Jurema que é feita nos pontos de Umbanda são relativos a Cabocla Jurema e não a erva propriamente dita, é o Catimbó que tem a erva Jurema como o centro e principal elemento de seu culto.
O Mito, o preconceito e o erro na definição
Para muitos que freqüentam centros de Umbanda e terreiros de Candomblé, o Catimbó é sinônimo da prática ou seja da macumba em sí. Para outros, de Umbanda, trabalhar no Catimbó está associado ao uso de forças e energias de esquerda ou negativa. Esta é uma visão equivocada.
Qualquer prática mágica pode ser usada com qualquer finalidade, mas, o objetivo do Catimbó é a evolução dos seus Mestres através do bem e da cura. Se o mal é feito, isto pode ocorrer pelo erro do médium ou pela necessidade de justiça a quem pede.
Catimbó é de base religiosa católica e não faz parte das Religiões afro-brasileiras
O Catimbó é uma prática ritualista mágica com base na religião católica de onde busca os seus santos, óleos, água benta e outros objetos litúrgicos. É também uma prática espírita que trabalha com a incorporação de espíritos de ex-vivos (eguns) chamados Mestres e é através deles que se trabalha principalmente para cura, mas também para a solução de alguns problemas materiais (como na Umbanda) e amorosos, mas, é importante destacar que a prática da cura é a principal finalidade.
Não se encontra no Catimbó, nas suas práticas e liturgias os elementos das nações africanas de forma que classificar o Catimbó como uma seita afro-brasileira é um erro. Mestres não se subordinam a Orixá e fora o aspecto de que certamente ele é, também, praticado por negros não existe outra relação direta com a religião africana.
Para aqueles que consideram o Catimbó afro-brasileiro eu apenas pergunto: Onde estão os elementos Afro-brasileiro?
De fato a mitologia e teogonia do Candomblé é rica e complexa, a do Catimbó é pobre e incipiente, seja porque a antiga mitologia indígena perdeu-se na desintegração das tribos primitivas, na passagem da cultura local para a cultura dos brancos, que estavam dispostos a aceitar os ritos, porém não os dogmas pagãos, na sua fidelidade ao catolicismo – seja porque o Catimbó foi, mais, concebido como magia do que como religião propriamente dita, devido sobretudo aos elementos perigosos e temíveis e às perseguições primeiro da igreja e depois da polícia.
Além dos dogmas da religião católica o Catimbó incorpora componentes europeus como o uso do caldeirão e rituais de magia muito próximos das praticas Wiccanas. Tanto dos europeus como dos brasileiros o uso de ervas e raízes é básico e fundamental nos rituais. Cada Mestre se especializa em determinada erva ou raiz.
Não existe Catimbó sem santo católico, sem terço, sem água benta, sem reza, sem fumaça de cachimbo e sem bebida, que pode nem sempre ser a Jurema (como já foi dito Catimbó não é o Santo Daime).
Mediunidade e incorporação
Sob o ponto de vista espiritualista a incorporação mediúnica pode ser considerada de baixa energia, no sentido de não ser profunda, mas, não que falte qualidade. Os Mestres são entidades que guardam muito os reflexos, comportamento e personalidade de sua última vida de forma que os torna muito caracterizados e ligados na caracterização física.
O uso de bebida e fumo é comum e difundido, não existe Catimbó sem isso. Entretanto esta ligação fortemente carnal, faz dos Mestres entidades muito alegres, naturais e espontâneos, muito diferentes das entidades fortemente, às vezes grotescamente, teatralizadas da Umbanda.
Não existem Mestres do bem ou do mal. Os Mestres tanto podem trabalhar para o bem como para o mal, diferente a Umbanda que especializa as entidades. Os feitiços do Catimbó são mais temidos do que a Quimbanda, mas, não quero aqui iniciar uma polêmica, porque isso é de importância menor. A magia negra é uma corrruptela da magia e pode ser praticado por qualquer um. Não existe necessidade de se estar na Umbanda ou no Catimbó para se fazer magia negra. Ela existe desde o início dos tempos e está associada a índole de quem a faz. Assim dependo da orientação da casa e do medium os mestres poderão trabalhar para o mal, para a reparação, para a vingança ou para a justiça, como se queira denotar. Quem faz o mal precisa apenas de um motivo ou justificativa qualquer. Mas os Mestres são pau para toda a obra.
Eventualmente a presença no Catimbó de ex-Umbandistas vai trazer com estes as suas entidades de Umbanda que irão trabalhar dentro do Catimbó, mas, isso não faz do Catimbó uma Umbanda, como também não se vai impedir que entidades de Umbanda que já pertençam aos médiuns trabalhem nas rodas de Catimbó. O Catimbó existe sem a Umbanda apesar de como estas ir se incorporando, eventualmente, de entidades e práticas.
É importante compreender que diferente da Umbanda e do Candomblé os Mestres não respondem a Orixás ou falangeiros. A Jurema tem sua própria hierarquia e Mestres respeitam outros Mestres maiores e mais fortes.
Considerar Catimbó uma Umbanda é dar uma conotação preconceituosa, como se tudo o que fosse espiritita fosse Umbanda ou tudo o que envolvesse negros e mulatos ou então gente simples fosse macumba ou afro-brasileiro.
Dito isto, reafirmo, Catimbó não é Umbanda! Os Umbandistas que fiquem com ela. Também não tem nada haver com o Candomblé. Nunca foi ou será Kardecista. Catimbó é Catimbó!
Finalmente não existe padrão para o Catimbó. Cada um tem o seu.

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ESTA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS SOBRE MATRIZES RELIGIOSAS

PARA AQUELES QUE DESEJAM ESTUDAR, COMPREENDER OU SABER UM POUCO MAIS SOBRE AS RELIGIÕES DO MUNDO

Este fragmento faz parte de uma apostila que preparei para a disciplina de Religiões Comparadas. (Se não tiver interesse em ler…passe para o próximo post)

Dentro do estudo das Matrizes Afro optamos em discutir sobre o Candomblé por ser a religião afro mais influente no Brasil.
Na última década o Candomblé cresceu e a Umbanda encolheu. Principais religiões africanas trazidas pelos escravos ao Brasil, de acordo com o Censo de 2000, eles têm 571,3 mil praticantes no total, o que corresponde a 3% da população.
Um dos principais motivos para a diminuição do número de Umbandistas, segundo estudiosos, seria o avanço pentecostal na mesma área em que a Umbanda atua. Durante décadas, as religiões afro-brasileiras foram um mundo à parte, fechado, dentro da cultura brasileira. A partir da metade do século 20, elas ganharam relevância nos livros, como Jorge Amado, e nas canções da bossa nova, cultuada pela classe média.
UMBANDA: Religião brasileira nascida no Rio de Janeiro, na década de 1920, a partir da mistura de crenças e rituais africanos e europeus. Suas raízes se encontram em duas religiões trazidas da África pelos escravos: A Cabula, dos bantos, e o Candomblé, da nação nagô.
A Umbanda considera o universo povoado por entidades espirituais, os guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os incorpora. Tais guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o preto-velho e a pomba jira. Os elementos africanos misturam-se aos elementos católicos. Outras influências é o espiritismo Kardecista.

CANDOMBLÉ:

Os escravos da África Ocidental entre os séculos 16 e 19 trouxeram o candomblé para o Brasil. A religião sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que a consideravam feitiçaria. Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram às perseguições, os adeptos passaram a a associar os orixás aos santos católicos.
Esse fenômeno é conhecido como sincretismo religioso, ou seja, uma mistura de elementos de diferentes crenças.
Quem gosta de cachaça é o Exu. Quem veste branco é Oxalá. Quem recebe oferenda em alguidares são Orixás.
As divindades tem defeitos humanos: Em qualquer terreiro, a entrada dos orixás na festa que segue sempre a mesma seqüência da ordem do xirê. Depois de despachar Exu, o primeiro a entrar na roda é Ogum, seguindo Oxossi, Obaluaiê, Ossain, Oxumaré, Xangô, Oxum, Iansã, Nana, Iemanjá e Oxalá.
Segundo a tradição, os Deuses do Candomblé, tem origem nos ancestrais dos clãns africanos, divinizados h´amais de 5.000 anos. Acredita-se quem tenham sido homens e mulheres capazes de manipular as forças da natureza, ou que trouxeram para o grupo os conhecimentos básicos para a sobrevivência, como a caça, o plantio, o uso de ervas na cura de doenças e a fabricação de ferramentas.
Os Orixás estão longe de parecer com os santos cristãos Católicos. Ao contrário, as divindades do Candomblé tem características muito humanas: São vaidosos, temperamentais, briguentos, fortes, maternais ou ciumentos. Em fim, tem personalidades próprias. Cada traço a personalidade é associado a um elemento da natureza: A fogo, o ar, a água e a terra, as florestas e os instrumentos de ferro. Nesse texto apresentaremos alguns aspectos dos orixás e práticas do Candomblé. Segundo o candomblé, cada pessoa pertence a um deus determinado, que é o senhor de sua cabeça e mente e de quem herda características físicas e de personalidade. É prerrogativa religiosa do pai ou mãe-de-santo descobrir esta origem mítica através do jogo de búzios. Esse conhecimento é absolutamente imperativo no processo de iniciação de novos devotos e mesmo para se fazerem previsões do futuro para os clientes e resolver seus problemas.
Embora na África haja registro de culto a cerca de 400 orixás, apenas duas dezenas deles sobreviveram no Brasil. A cada um destes cabe o papel de reger e controlar forças da natureza e aspectos do mundo, da sociedade e da pessoa humana. Cada um tem suas próprias características, elementos naturais, cores simbólicas, vestuário, músicas, alimentos, bebidas, além de se caracterizar por ênfase em certos traços de personalidade, desejos, defeitos, etc.
Nenhum orixá é nem inteiramente bom, nem inteiramente mau. Noções ocidentais de bem e mal estão ausentes da religião dos orixás no Brasil. E os devotos acreditam que os homens e mulheres herdam muitos dos atributos de personalidade de seus orixás, de modo que em muitas situações a conduta de alguém pode ser espelhada em passagens míticas que relatam as aventuras dos orixás. Isto evidentemente legitima, aos olhos da comunidade de culto, tanto as realizações como as faltas de cada um.
De fato, o seguidor do candomblé pode simplesmente tomar os atributos do seu orixá como se fossem os seus próprios e tentar se parecer com ele, ou reconhecer através dos atributos da divindade bases que justificam sua conduta. Os padrões apresentados pelos mitos dos orixás podem assim ser usados como modelo a ser seguido, ou como validação social para um modo de conduta já presente. Um iniciado pode, ao familiarizar-se com seus estereótipos míticos, identificar-se com eles e reforçar certos comportamento, ou simplesmente chamar a atenção dos demais para este ou aquele traço que sela sua identidade mítica. Mudar ou não o comportamento não é importante; o que conta é sentir-se próximo do modelo divino.
Além de seu orixá dono da cabeça, acredita-se que cada pessoa tem um segundo orixá, que actua como uma divindade associada (juntó) que complementa o primeiro. Diz-se, por exemplo: “sou filho de Oxalá e Iemanjá”. Geralmente, se o primeiro é masculino, o segundo é feminino, e vice-versa, como se cada um tivesse pai e mãe. A segunda divindade tem papel importante na definição do comportamento, permitindo opera-se com combinações muito ricas.
Como cada orixá particular da pessoa deriva de uma qualidade do orixá geral, que pode ser o orixá em idade jovem ou já idoso, ou o orixá em tempo de paz ou de guerra, como rei ou como súdito etc. etc., a variações que servem como modelos são quase inesgotáveis. Às vezes, quando certas características incontestáveis de um orixá não se ajustam a uma pessoa tida como seu filho, não é invulgar nos meios do candomblé duvidar-se daquela filiação, suspeitando-se que aquele iniciado está com o “santo errado”, ou seja, mal identificado pela mãe ou pai-de-santo responsável pela iniciação. Neste caso, o verdadeiro orixá tem que ser descoberto e o processo de iniciação reordenado. Pode acontecer também a suspeita de que o santo está certo, mas que certas passagens míticas de sua biografia, que explicariam aqueles comportamentos, estão perdidas.
No candomblé sempre se tem a ideia de que parte do conhecimento mítico e ritual foi perdido na transposição da África para o Brasil, e de que em algum lugar existe uma verdade perdida, um conhecimento esquecido, uma revelação escondida. Pode-se mudar de santo, ou encetar interminável busca deste conhecimento “em falta”, busca que vai de terreiro em terreiro, de cidade em cidade, na rota final para Salvador — reconhecidamente o grande centro do conhecimento sacerdotal, do axé —, e às vezes até a África e não raro à mera etnografia académica. Reconhece-se que falta alguma coisa que precisa ser recuperada, completada. A construção da religião, de seus deuses, símbolos e significados estará sempre longe de ter se completado. Os seguidores, evidentemente, nunca se dão conta disso.
O candomblé opera em um contexto ético no qual a noção Judaico-Cristã de pecado não faz sentido. A diferença entre o bem e o mal depende basicamente da relação entre o seguidor e seu deus pessoal, o orixá. Não há um sistema de moralidade referido ao bem-estar da colectividade humana, pautando-se o que é certo ou errado na relação entre cada indivíduo e seu orixá particular. A ênfase do candomblé está no rito e na iniciação, que, como se viu brevemente, é quase interminável, gradual e secreta.
O culto demanda sacrifício de sangue animal, oferta de alimentos e vários ingredientes. A carne dos animais abatidos nos sacrifícios votivos é comida pelos membros da comunidade religiosa, enquanto o sangue e certas partes dos animais, como patas e cabeça, órgãos internos e costelas, são oferecidas aos orixás. Somente iniciados têm acesso a estas cerimónias, conduzidas em espaços privativos denominados quartos-de-santo.
Uma vez que o aprendizado religioso sempre se dá longe dos olhos do público, a religião acaba por se recobrir de uma aura de sombras e mistérios, embora todas as danças, que são o ponto alto das celebrações, ocorram sempre no barracão, que é o espaço aberto ao público. As celebrações de barracão, os toques, consistem numa sequência de danças, em que, um por um, são honrados todos os orixás, cada um se manifestando no corpo de seus filhos e filhas, sendo vestidos com roupas de cores específicas, usando nas mãos ferramentas e objectos particulares a cada um deles, expressando-se em gestos e passos que reproduzem simbolicamente cenas de suas biografias míticas.
Essa sequência de música e dança, sempre ao som dos tambores (chamados rum, rumpi e lé) é designada Xirê, que em iorubá significa “vamos dançar”. O lado público do candomblé é sempre festivo, bonito, esplendoroso, esteticamente exagerado para os padrões europeus e extrovertido.
Para o grande público, desatento para o difícil lado da iniciação, o candomblé é visto como um grande palco em que se reproduzem tradições Afro-Brasileira igualmente presentes, em menor grau, em outras esferas da cultura, como a música e a escola de samba. Para o não iniciado, dificilmente se concebe que a cerimónia de celebração no candomblé seja algo mais que um eterno dançar dos deuses africanos.

OS DOZE ORIXÁS MAIS CULTUADOS NO BRASIL

Cada um deles tem seu símbolo, o seu dia da semana. Suas vestimentas e cores próprias. Como os homens são temperamentais.
Suas vestimentas são sempre muito ricas de cores.

EXU
Orixá mensageiro entre os homens e os deuses, guardião da porta da rua e das encruzilhadas. Só através dele é possível invocar os Orixás.
Elemento: Fogo
Personalidade: Atrevido, agressivo
Símbolo: Ogô (um bastão adornado com cabaças e búzios).
Dia da semana: Segunda-Feira
Colar: Vermelhoe preto
Roupa: Vermelha e preta
Sacrifício: Bode e galo preto
Oferendas: Farofa com dendê, feijão, inhame, água, mel e aguardente.

OXÓSSI
Deus da caça. É o grande patrono do Candomblé brasileiro.
Elemento: Florestas
Personalidade: Intuitivo e emotivo
Símbolo: Rabo de cavalo e chifre de boi
Dia da semana: Quinta-feira
Colar: Azul claro
Roupa: Azul ou verde claro
Sacrifícios: Galo ou bode avermelhado e porco.
Oferendas: Milho branco e amarelo, peixe de escamas, arroz, feijão e abóbora

OXUM
Deusa das águas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade do jogo de búzios e do amor.
Elemento: Água
Personalidade: Maternal e tranqüila
Símbolo: Abebê (leque espelhado)
Dia da semana: Sábado
Colar: Amarelo ouro
Roupa: Amarelo ouro
Sacrifício: Cabra, galinha, pomba
Oferendas: Milho branco, Xinxim de galinha, ovos, peixes de água doce.

OBALUAÊ
Deus da peste, das doenças da pele e, atualmente da AIDS. É o médico dos pobres.
Elemento: Terra
Personalidade: Tímido e vingativo
Símbolo: Xaxará (feixe de palha e búzios)
Dia da semana: Segunda-feira
Colar: Preto e vermelho, ou vermelho, branco e preto.
Roupa: Vermelha e preta coberta de palha
Sacrifício: Galo, pato, bode e porco
Oferendas: Pipoca, feijão e milho, com muito dendê.

IANSÃ
Deusa dos ventos e das tempestades. É a senhora dos raios e dona das alma dos mortos.
Elemento: Fogo
Personalidade: Impulsiva e imprevisível
Símbolo: Espada e rabo de cavalo (representa a realeza)
Dia da semana: Quarta-feira
Colar: Vermelho ou marrom escuro
Roupa: Vermelha
Sacrifício: Cabra e galinha
Oferendas: Milho branco, arroz, feijão e acarajé.

OSSAIM
Deus das folhas e ervas medicinais. Conhece seus usas e palvras mágicas (ofós) que despertam seus poderes
Elemento: Matas
Personalidade: Instável e emotivo
Símbolo: Lança com pássaros na forma de leque e feixes de folhas
Dia da semana: Quinta-feira
Colar: Branco rajado de verde
Sacrifício: Galo e carneiro
Oferendas: Feijão, arroz, milho vermelho e farofa de dendê.

OXUMARÉ
Deus da chuva e do arco-iris. É ao mesmo, de natureza masculina e feminina. Transporta a água entre o céu e a terra.
Elemento: Água
Personalidae: Sensível e tranqüilo
Símbolo: Cobra de metal
Dia da semana: Quinta-feira
Colar: Amarelo verde
Roupa: Azul claro e verde claro
Sacrifício: Bode, galo, tatu
Oferendas: Milho branco, acarajé, coco, mel, inhame e feijão com ovos.

XANGÔ
Deus do fogo e do trovão. Diz a tradição que foi rei de oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga os mentirosos e protege advogados e juízes.
Elemento: Fogo
Personalidade: Atrevido e prepotente
Símbolo: Machado duplo (oxé)
Dia da semana: Quarta feira
Colar: Branco
Roupa: Branca e vermelha, com coroa de latão
Sacrifício: Galo, pato, carneiro e cágado
Oferendas: Amalá (quiabo com camarão seco e dendê).

NANÃ
Deusa da lama e do fundo dos rios, associada à fertilidade, à doença e a morte. É a orixá mais velha de todos e, por isso, muito respeitada.
Elemento: Terra
Personalidade: Vingativa e mascarada
Símbolo: Ibiri (cetro de palha e búzios)
Dia da semana: Sábado
Colar: Branco,azul e vermelho
Roupa: Branco e azul
Sacrifício: Cabra e galinha
Oferendas: Milho branco, arroz, feijão, mel e dendê.

IEMANJÁ
Considerada deusa dos mares e oceanos. É a mãe de todos os Orixás e representada com seus seios volumosos , simbolizando a maternidade e a fecundidade.
Elemento: Água
Personalidade: Maternal e tranqüila
Símbolo: Leque e espada
Dia da semana: Sábado
Colar: Transparente verde ou azul claro
Roupa: Branco e azul
Sacrifício: Porco, cabra e galinha
Oferendas: Peixes do mar, arroz, milho, camarão com coco.

OXALÁ
Deus da criação. É o Orixá que criou os homens. Obstinado e independente, é representado de duas maneiras: Oxaguiã, jovem, o Oxalufã, velho.
Elemento: Ar
Personalidade: Equilibrado e tolerante
Símbolo: Oparoxó (cajado de alumínio com adornos)
Dia da semana: Sexta-feira
Colar: Branco
Roupa: Branca
Sacrifício: Cabra, galinha, pomba, pata e caracol.
Oferendas: Arroz, milho branco e massa de inhame.

OGUM
Deus da guerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso.
Elemento: Ferro
Símbolo: Espada
Personalidade: Impaciente e obstinado
Dia da semana: Terça-feira
Colar: Azul marinho
Roupa: Azul, verde escuro, vermelho ou amarelo/
Sacrifício: Galo e bode avermelhados – Oferendas: Feijoada, xinxim e inhame.

O SINCRETISMO DOS ORIXÁS E OS SANTOS CATÓLICOS NO BRASIL


ORIXÁS ATRIBUTOS CATOLICISMO

OXALÁ O mais elevado dos deuses iorubás Nosso Senhor do Bonfim.
OGUM Deus dos guerreiros Santo Antônio na Bahia e São Jorge no Rio de Janeiro
XANGÔ Deus do trovão São Jerônimo
OXUM Deusa das águas doces e do amor Nossa Senhora das Candeias, na Bahia e Nossa Senhora dos Prazeres em Recife.
OIÁ-IANSÃ Deus dos caçadores São Jorge na Bahia e São Sebastião no Rio de Janeiro
IEMANJÁ Deusa dos mares e oceanos Nossa Senhora da Imaculada Conceição
OBALUAÊ/OMULU Deus da varíola e das doenças São Lázaro e São Roque, na Bahia São Sebastião, no Recife e Rio de Janeiro
OXUMARÉ Deus da chuva e do arco iris São Bartolomeu
EXU Mensageiro e guardião dos templos, das casas e das pessoas. Diabo
OSSAIM Divindade das plantas medicinais e litúrgicas Santa Catarina
OBÁ Deusa dos rios Sant’ Ana (Nossa Senhora Santana)
LOGUM EDÉ Deusa da lama Santo Expedito
IBEJIS Deuses da alegria São Cosme e Damião
OLUDUMARÉ Criador dos Orixás Nenhum culto, ou santo é lhe destinado.