PENTECOSTALISMO, NEO-PENTECOSTALISMO E PÓS-PENTECOSTALISMO

Publicado: novembro 5, 2008 em ARTIGOS, CIÊNCIA DA RELIGIÃO, PROTESTANTISMO, RELIGIÃO

 

 

missao-apostolica

 MISSÃO DE FÉ – Rua Azuza – los Angeles

Sociólogos como FRESTON (1994, pág. 71) emitiram algumas nomenclaturas sobre esses novos modelos . Outros como MARIANO (1999) afirmam que é uma evolução do pentecostalismo. Optamos em entender esses novos modelos a partir de suas ênfases. Cada grupo pentecostal tem suas particularidades, assim, compreendemos que há distinções marcantes entre esses modelos que apresentaremos e o modelo que denominamos de pentecostais históricos ou clássicos. Esses novos modelos dividem-se em dois grupos: os neo-pentecostais e pós-pentecostais.

O italiano Luigi Francescon, recebe uma profecia em South Blend nos EUA, vai a Argentina e logo depois ao Brasil. Chegando por aqui, relaciona-se com a colônia italiana, freqüenta as reuniões na Igreja Presbiteriana do Braz até formar um cisma na Igreja, tal como aconteceram logo no ano seguinte com os suecos. Vários membros saíram da Igreja Presbiteriana, também da Igreja Batista, metodistas e católicos. Com esse grupo, Luigi Francescon organiza a Igreja Congregação Cristã no Brasil.

Daniel Berg e Gunnar Vingren vieram ao Brasil apenas com a ajuda de uma igreja sueca para a viagem (1911). Os dois trabalharam vendendo Bíblias e também em uma fundição além de receberem ajuda de amigos estrangeiros. Após alguns meses se congregando em uma Igreja Batista ocorreu um cisma, como em outras partes dos EUA. A mensagem pentecostal não foi aceita. Eles e vários membros da igreja que haviam aceitado a mensagem pentecostal foram excluídos daquele grupo. Essas pessoas, num total de dezenove acabaram por formar uma nova igreja que tinha por nome: Missão de fé apostólica. Esse era o nome do grupo que se reunia na Rua Azusa somente em 1918 aquele grupo adotou o nome Assembléia de Deus. Em Belém, os evangélicos, principalmente os pentecostais foram muito perseguidos pela igreja majoritária e pelos moradores, ao ponto de, em certas discussões, precisarem da polícia para acalmar os ânimos.

Segundo (SOUSA- João Bosco de – 2007) Esses dois grupos passaram de 1910 até o ano de 1932 sozinhos no cenário pentecostal do Brasil. Até que um dos maiores expoentes da Assembléia de Deus o Pastor Manoel Higino de Souza, por divergências internas, sai da Assembléia de Deus e organiza em Mossoró no Rio Grande do Norte no ano de 1932 a Igreja de Cristo no Brasil, com as mesmas ênfases desses primeiros grupos.
(SOUSA- 2007) Afirma que: No ano de 1939, chegam ao Brasil dois missionários e suas esposas: Harland Graham e Harold Matson na cidade de Manaus no Amazonas, também motivados através de uma visão profética e uma pregação em uma igreja Presbiteriana realizada por umm missionário que havia estado em Manaus.

A proposta inicial desse último grupo de pentecostais históricos era fazer missões e não fundar igrejas. Trabalharam ainda com os missionários suecos ajudando-os nos trabalhos de evangelismo, e logo depois dão continuidade aos trabalhos de evangelismo sozinhos. Esse grupo não começa suas atividades com divisões, mas tem seu início através do evangelismo e da catequese. A partir de 1950 muitos outros grupos surgem em várias partes do Brasil como apresenta LENZ (2000, pág. 111,154).

Em 1951 é organizado em São João da Boa Vista – São Paulo, a Igreja do Evangelho Quadrangular. Em 1955 o jovem Pernambucano Manoel de Mello aos vinte e seis anos, organiza em São Paulo a Igreja Pentecostal mais aberta do Brasil, a Igreja Evangélica Pentecostal o Brasil para Cristo. Anos mais tarde, em março de 1962 o paranaense David Miranda organiza em São Paulo a Igreja Pentecostal mais rígida do Brasil, a Igreja Pentecostal Deus É Amor… Nos anos seguintes, fora experimentado um crescimento muito grande da Igreja evangélica no Brasil. Em 1977 nasce uma das Igrejas mais controvertidas no País: A Igreja Universal do Reino de Deus do Bispo Edir Macedo “e o seu companheiro de fundação R.R. Soares, este último, funda outra Igreja tão controvertida quanto sua co-irmã, a Igreja Internacional da Graça de Deus – RR. Soares.

O surgimento de novos grupos oriundos da fé pentecostal aparecem a cada dia; sua marca, em todas as classificações, são as sensações e a experiência. O homem é colocado no centro para que possa sentir a experiência com o divino. FRESTON (1994, págs. 70,71) faz uma classificação dos pentecostais a que denominou de: “ondas do pentecostalismo” conforme é descrito abaixo:
O pentecostalismo brasileiro pode ser compreendido como a história de três ondas de implantação de igrejas. A primeira onda é a década de 1910, com a chegada da Congregação Cristã (1910) e da Assembléia de Deus (1911). A segunda onda pentecostal é dos anos 50 e início de 60, na qual o campo pentecostal se fragmenta, a relação com a sociedade se dinamiza e três grandes grupos (em meio a dezenas de menores) surgem: Quadrangular (1951), Brasil para Cristo (1955) e Deus é Amor (1962). O contexto dessa pulverização é paulista. A terceira onda começa no final dos anos 70 e ganha força nos anos 80. Seus principais representantes são a Igreja Universal do Reino de Deus (1977) e a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980). O contexto é fundamentalmente carioca.Fizemos essa representação de Paul Freston com alguns acréscimos e uma outra nomenclatura para alguns grupos, revelando aqui o cerne deste discurso segundo (SOUSA – 2007) .

Nas “ondas” do pentecostalismo apresentadas por Paul Freston encontramos dois espaços importantes no pentecostalismo histórico que faltam em sua apresentação: A ausência da Igreja de Cristo do Brasil e da Missão Evangélica Pentecostal do Brasil. Estas igrejas surgiram no Brasil, respectivamente, nos anos de 1932 e 1939. Para essa nova representação do pentecostalismo, adotamos a seguinte nomenclatura:

a) PENTECOSTALISMO CLÁSSICO:

Fazem parte desse grupo, a Congregação Cristã no Brasil, Igreja Assembléia de Deus e a Missão Evangélica Pentecostal do Brasil. O termo clássico surgiu em meados de 1970, quando pesquisadores norte-americanos acrescentaram a designação “classical” às denominações pentecostais do início do século, para distingui-las de outras pentecostais ou carismáticas surgidas nos anos 50. O pentecostalismo histórico, como já foi apresentado, é um movimento missionário de caráter mundial, que possui uma dinâmica própria, herdando muitos traços dos movimentos de santidade da Inglaterra e dos Estados Unidos, particularmente do metodismo. Esse primeiro grupo de pentecostais difere dos demais grupos que viriam logo após pelas suas ênfases. Aqui a ênfase principal surgida com as primeiras experiências de Parham seria a evidência inicial do falar em línguas (evidência que comprova que um crente foi batizado com o Espírito Santo), as visões e as profecias. Evidentemente as curas e exorcismos estão presentes, mas nesse grupo a principal ênfase e marco fundante é a experiência com o batismo com o Espirito Santo e a evidência inicial do falar em outras línguas.

b) NEO-PENTECOSTALISMO:

Nos anos 50, surge um novo grupo pentecostal fazendo dos milagres e da cura divina sua principal ênfase, diferente do primeiro grupo, onde a ênfase recaía sobre a glossolalia; entretanto, a marca fundante e o aspecto doutrinário principal permaneceram inalterados. Esse segundo grupo pentecostal é liderado pela Igreja do evangelho quadrangular quando dois atores do cinema americano chegam ao Brasil em 1951: Harold Williams e Raymond Boatright. Suas primeiras atividades foi o trabalho debaixo de tendas para suas reuniões. Um outro aspecto foi a difusão por meio do rádio (que era considerado até então pelo pentecostalismo clássico como atividade “mundana”). Foi a Igreja do Evangelho quadrangular que criou a primeira escola teológica pentecostal. Fazem parte, ainda, desse primeiro grupo: Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo (1956); Igreja Pentecostal Deus é Amor (1957); Igreja de Nova Vida (1960); Casa da Benção (1964), Metodista Weslyana (1967). Além desses, muitos outros pequenos grupos surgem no Brasil, com o mesmo modelo e ênfases. É importante notar as diferenças que começam a surgir no pentecostalismo dentro desse grupo. Em primeiro lugar a ênfase muda para as curas e as visões apesar de as línguas fazerem parte da experiência pentecostal. Um outro aspecto que começa a mudar é a participação nas atividades da sociedade como o uso do rádio, uso de estilos musicais mais modernos, criação de seminários de teologia.

c ) PÓS-PENTECOSTALISMO

Essa nomenclatura é pouco usual entre os que estudam o pentecostalismo. Em alguns casos, pode-se até observar os próprios pós-pentecostais acusarem a igreja pentecostal histórica de ser pós-pentecostal porque trariam um comportamento frio e incrédulo. Em nossa discussão, o termo tem uma conotação diferente. O aspecto mais importante aqui é o de ruptura. Acreditamos que o termo utilizado é o ideal para esse último grupo. Levamos em conta as diferentes ênfases. Esse modelo permanece com alguns elementos do pentecostalismo histórico, como a cura, e a oração; nota-se uma excessiva importância na figura do Espírito Santo. No entanto a grande ênfase passar a ser o exorcismo e a ação do demônio. Associado a isso está uma nova teologia que passa a fazer parte da vida evangélica pentecostal. “A teologia da saúde e da prosperidade”.

Com esse grupo tem início a uma ruptura com a igreja pentecostal e um apego em suas práticas ao sincretismo religioso. Entendemos que nos anos setenta, o país recebe o impacto deste grupo pentecostal, junto com uma crise econômica sem precedentes, uma crise internacional do petróleo e vivendo uma ditadura militar. O grande discurso religioso desses grupos é que a culpa de todos os males, financeiros, de saúde e da moral, é do diabo. Com essas idéias surge então o Salão da Fé (1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980) e várias outras igrejas menores com essas mesmas idéias teológicas e práticas sincréticas dentro do pentecostalismo. Ficaram para trás as preocupações escatológicas e até mesmo a glossolalia que no início do século XX era a grande bandeira do pentecostalismo.

Devido a tendência das igrejas pentecostais de aceitarem os dons de profecia e profetas, sem uma ortodoxia bíblica, criou-se um espaço para as afirmações da teologia da prosperidade, que encontrou solo fértil para se firmar. Essa teologia parecia ter raízes no início do pentecostalismo, mas na verdade ela sofreu muitas influências do positivismo, da ciência cristã, de alguns elementos da neuro-lingüística e do humanismo. Afirmam, por exemplo, que a culpa das doenças no homem e a falta de dinheiro é devido ao pecado ou a falta de fé. Para o cristão evangélico reformado e pentecostal histórico, algum posicionamentos são qustionáveis como: o ensino das “maldições hereditárias”, ou “maldições de família”. Esse tipo de conceito circula através de rádio, livros e principalmente através da televisão.

Este ensino afirma que se alguém possue algum problema relacionado a pornografia, nervosismo, divórcio, aloolismo, depressão, adultério, alcoolismo e muitos outros, é por que um antepassado ou a geração passada está afetando e isso precisa ser quebrado. (mesmo se a pessoa já for um cristão).Outras questões são quanto as questões criadas por essa corrente sobre: ‘espíritos familiares’, ‘maldição de nomes próprios”, “espiritos territoriais’, ‘mapeamento espiritual’, a’ crença na morte espiritual de Jesus’. Esse assunto é uma confirmação das raízes da confissão positiva: o gnosticismo. Uma outra questão muito delicada é a questão da batalha espiritual. A igreja cristã não pode negar a verdade desta luta, mas deve ser ponderada, nesse caso específico, para aqueles, o cristão pode ter sua vida afetada e ele ser possuido pelos demônios. Seu maior expoente neste modelo de teologia é Kenneth Hagin.

SEGUNDO LIVRO METAMORPHOSIS E NEKROSIS _(SOUSA -João Bosco de – 2007) – Siciliano e livraria Poty livros.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRESTON, Paul. Breve história do pentecostalismo brasileiro. In: ANTONIAZZI, Alberto (Org). Nem anjos nem demônios: Interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994, p. 67-162. –

MARIANO, Ricardo. Neo-pentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999. – SIEPIERSKI, Paulo D. Pós-Pentecostalismo e Política no Brasil. In: Estudos teológicos, ano 37, nº 1 (IECLB). P.47-61, 1997. –

SOUSA, João Bosco de. Metamorphosis e nekrosis – Notas sobre o protestantismo potiguar – DEI – 2007 –

CÉSAR, Elben M. Lenz. História da evangelização do Brasil: dos jesuítas aos neopentecostais. Ultimato, Viçosa, MG, 2000, 192p. –

HOLLENWGER, Walter. Uma análise do pentecostalismo no mundo. São Paulo, 166pg. 1986. www.Hollenwger.cjb.net – acesso dia 12/04/2003, às 16:20h. –

 

 

 

Anúncios
comentários
  1. O PAVA está fazendo uma Newsletter só para blogueiros e dessa vez é sério.

    Para entrar na lista basta me enviar um e-mail com seu Nome, E-mail e Endereço de Blog e Data de Aniversário para:

    amigodopava@gmail.com

    Obrigado!

  2. Manoel disse:

    Daonde tirou isso : ” o italiano Luigi Francescon, recebe uma profecia em South Blend” (?)

  3. joaobosco disse:

    CAro Manoel,

    Se eu não o conheço, trato-o com respeito…se o conheço..também o tratarei…
    Darei a resposta ao senhor: Seria bom refazer sua pergunta, reformular ou melhorar sua pergunta paraque não soe tão ruim.

    Segundo: Releia o texto.

    Terceiro..vou passar a referencia final desse texto:
    SOUSA, Joaoboscode,Metamorphosis enekrosis – natal,DEI-2007. O restante…pesquise “DONDE TIREI ISSO” voce encontra excelentes trabalhos de doutorados, mestrados sobre o assunto, inclusive alguns com material publicado em livros…

    É só procurar.
    Abraços,

    JB

  4. Solon Diniz disse:

    Prezado senhor João Bosco, O senhor foi muito feliz em seu relato histórico sobre o pentecostalismo, Sou aluno do curso de Ciência das Religiões, Univ. Lusófona, Portugal, e estou preparando um projeto sobre a segunda onda pentecostal no Brasil. A referência HOLLENWGER, Walter. Uma análise do pentecostalismo no mundo. São Paulo, 166pg. 1986. , muito me interessa, porém não consigo obtê-la. Seria possível me ajudar nesta empreitada? Por acaso, não querendo abusar, teria algum material que possa ser enviado virtualmente sobre o assunto?
    Um forte abraço,
    de Arujá, neste final de primavera,
    Solon.

  5. ERNADES L ROCHA disse:

    apaz do senhor para todos .creio em Deus assima de todas as coisa e espero qui todos nos vivemos empleno seculo 21 com conciencia de que Deus setava estar e estara no controle de todas as coisas

  6. Rodnaldo disse:

    Sr: João Bosco encontrei seu site or um acaso, pois estou escrevendo um artigo sobre reigião, o artigo tem foco socioogico…gostei muito do seu artigo “ondas pentecostasi” em meu curso de ciencias sociais..me lembro de um discurso de um professor de que a igreja catolica tinha uma forte relãção com o mundo rural e as igrejas evangelicas com o mundo urbano….o senhor poderia me indicar alum site ou livro que fale sobre essa re
    lação entre igreja e espaço rural e urbano?

    Obrigado
    Parabéns pelo lindo trabalho!

  7. joaobosco disse:

    Olá,

    Especificamente sobre esse tema não consigo me lembrar ou mesmo nao existe ainda, por que praticamente todos os livros e artiigos que apareceram de 2003 até 2007 adquiri, depois foram mais repetitivos. O tema é in trigante, o que amais se aproxima é um livro de alexande carneiro da Editora Ultimato, um doutorado que esse cidadão transformou em livro sobre as questões de poder em uma igreja pentecostal, vale a pena conferir.
    parabens amigo,
    Jota Bê,.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s