RITOS DE PASSAGEM NA RELIGIÃO

Publicado: maio 6, 2010 em ARTIGOS, CIÊNCIA DA RELIGIÃO, IMAGENS, RELIGIÃO, RITOS DE PASSAGEM

       Este é o segundo post sobre os ritos de passagem. Mas o que vema  ser essa tradição?  “Rites de Passage” é uma expressão francesa que foi adotada por antropólogos e escritores europeus para definir todos os rituais e cerimônias que propiciam a passagem de uma pessoa para uma nova forma de vida ou um novo status social. Esses rituais são ações que se repetem em um grupo e ajudam os indivíduos a organizarem a vida e a darem-lhe um significado, por constituírem atos que se repetem durante gerações. Os ritos de passagem acontecem em todas as religiões. O que muda são as formas de execução, o significado e o significante continuam o mesmo.

            Os ritos de passagem podem ter caráter religioso  marcando mudanças de status de uma pessoa na comunidade. Nas sociedades primitivas, aconteciam cerimonias  especiais, conhecidas como ritos  de iniciação  ou ritos de passagem. As cerimônias, representavam uma transição do indivíduo, e  a sua progressiva aceitação e participação na sociedade  na qual ele vivia. São os ritos de nascimento, a chegada à idade adulta, o casamento e a morte.

            Podemos citar como exemplo, o nascimento de uma criança era considerado antigamente um ato divino, presenciado, assistido e celebrado apenas por mulheres (parteiras, sacerdotisas) com cantos, orações e invocações das Deusas “responsáveis” pela gestação e o parto.

              Os ritos de passagem acontecem ainda hoje, mesmo na sociedade em que vivemos, nos grupos religiosos que algum de nós participamos, acontecem, a sua maneira os ritos de passagem. No judaismo: a circuncisão; no cristianismo: o batismo, a primeira comunhão, o crisma; nas religiões afro: iniciação ou feitura de santo.

              A sociedade participa com seus ritos, desconfigurando totalmente o caráter religioso dos atos como é o caso de um nascimento, de um batismo de criança, aniversário de quinze anos ou mesmo umcasmento. A questão agora é a ostentação em detrimento as questões religiosas que esses atos simbolizam.

                Nas questões religiosas, essas cerimonias, no entanto, marcavam desprendimento da vida humana, como acontece em uma conversão cristã, algumas atitudes eram abandonadas e novas deviam ser aceitas. A convivência com algumas pessoas era deixada para trás e esse indivíduo passava a conviver com outros grupos de pessoas. Em algumas dessas cerimonias, o indivíduo podia trocar até de nome, exemplificando que aquela pessoa não mais existiria.

               Alguns desses ritos deixaram de existir, outros perpetuam-se inclusive na sociedade em que vivemos, apesar de que, alguns desses ritos não levam em conta a questão simbólica e a tradição dos mesmos.

                No continente africano encontramos diversos tipos de ritos de passagem, alguns pode parecer bizarros, mas estão inceridos em dada cultura. No Brasil, os indíginas ainda mantém suas tradições de seus ritos de passagem.

Retirado do livro NOTAS SOBRE RELIGIÔES COMPARADAS   de João Bosco de Sousa

OS ÍNDIOS ALGONQUINOS       


                     Os garotos desta tribo indígena canadense eram levados para uma área separada do restante do povo, e eram enjaulados. Lá, eles recebiam uma dose de uma substância chamada de wysoccan, altamente alucinógena e quase cem vezes mais forte que o LSD. A intenção do ritual era fazer com que os garotos esquecessem todas suas lembranças da infância, para que pudessem se tornar homens. O problema do ritual é que a força da substância é tão grande que muitos garotos perdiam a memória da família e da própria identidade, e alguns até mesmo paravam de falar. Os garotos que mostravam que ainda lembravam coisas da sua infância eram levados para tomar o wysoccan novamente.      

O SALTO DOS VANUATU         


                  Este ritual serve como um rito de passagem e como um ritual de colheita das tribos da ilha de Vanuatu, no Oceano Pacifico. Os garotos das tribos têm que subir em uma torre de 30 metros de altura com cipós amarrados nos tornozelos e se jogar, a uma velocidade de cerca de 72 quilômetros por hora. Quando o “mergulho” é feito corretamente, o garoto deve encostar os ombros e a cabeça no chão. Entretanto, os cipós não são elásticos e um cálculo errado do comprimento da corda pode causar ferimentos sérios ou até mesmo a morte do garoto no ritual, que é feito com meninos de cerca de 7 ou 8 anos.

O SALTO DE VACAS DOS HARMAR  


               Este ritual é realizado pela tribo dos Harmar, na Etiópia, e é feito antes que os homens possam casar. O participante tem que pular por cima de vacas colocadas lado a lado quatro vezes sem cair. O teste é feito com o garoto nu, como um símbolo da infância que ele deixa para trás, e, se passar no teste, o garoto passa a viver com outros homens que passaram no mesmo teste, e fica durante alguns meses supervisionando as vilas do território do seu povo. 

A TRIBO OKIEK    


                O rito de passagem desta tribo do Quênia é igual para homens e mulheres, e é feito com adolescentes de 14 a 16 anos. A iniciação começa com a circuncisão dos órgãos sexuais, e depois os participantes ficam separados de adultos do sexo oposto de quatro a 24 semanas. As pessoas que participam o ritual têm que se pintar com argila branca e carvão, para ficarem com uma aparência selvagem, e passam a receber conhecimento dos anciãos. Para completar o ritual, as pessoas têm que fazer o som de um instrumento que reproduz o rugido de uma criatura mística que assombra aspessoas durante a iniciação.

              A circuncisão geralmente é feita com uma lâmina velha e suja que deixa os jovens propensos a infecções.    

              A circuncisão feminina consiste na remoção do clitóris o que deixa a maioria delas incapaz de sentir prazer durante o sexo para o resto da vida. Caso elas se recusem a passar pelo rito são isoladas do resto da tribo.

FESTA DAS MOÇAS NOVAS     

             Esta festa de iniciação é realizada pela tribo Tukuna, que vive na região norte da Amazônia. As garotas começam a participar da iniciação quando menstruam, e ficam durante 4 a 12 semanas em reclusão em um local construído na casa da família com este único propósito. Durante este período, acredita-se que a menina é está no submundo, correndo perigo na presença de um demônio conhecido como Noo. Ao final do ritual, outras pessoas utilizam máscaras e se tornam reencarnações do demônio, e a garota fica durante dois dias com o corpo pintado de preto para se proteger do Noo. Na manhã do terceiro dia, ela pode sair da reclusão, e é levada por parentes para as festividades, em que dançam até o amanhecer. Neste momento, a garota recebe uma lança de fogo e deve jogá-la sobre o demônio. Depois disso, a tribo considera que a mulher pode entrar para a vida adulta com segurança. 

A TRIBO OKRIKA


                    Esta tribo nigeriana realiza o ritual Iria com as garotas, para que elas entrem na idade adulta. Jovens entre 14 e 16 anos são levadas para locais em que recebem alimentos pesados para engordar. Elas também aprendem as canções tradicionais do ritual, que cantam durante vários dias durante o amanhecer. As pessoas da tribo acreditam que as garotas podem formar ligações amorosas com espíritos aquáticos, e por isso têm que cantar as músicas tradicionais antes de poderem casar. No último dia do ritual, as garotas passam próximas à água, com uma mulher mais experiente para levá-las para longe dos espíritos, que querem pegá-las de volta.

OS ABORÍGINES MARDUDJARA        


                  Estes aborígenes australianos levam os garotos de uma certa idade à reclusão, onde eles são segurados por um ancião, enquanto outro retira o prepúcio do pênis do garoto sem anestesia. Depois disso, o garoto se ajoelha sobre um escudo próximo a uma fogueira e tem que comer a própria pele crua, sem mastigar. Após isso, ele se livrou da criança, e se torna um homem completo. Depois que a circuncisão termina de cicatrizar, os homens sofrem outra intervenção cirúrgica: o pênis é cortado na parte inferior, próximo aos testículos, e o sangue que escorre deve cair sobre uma fogueira, para purificá-lo, e depois da incisão, têm que se abaixar para urinar, como as mulheres.

A TRIBO DOS SATERE-MAWE            


                  Esta tribo amazonense realiza um ritual de iniciação com garotos que pode ser considerado um dos mais dolorosos da nossa lista. Os jovens da tribo têm que colocar as mãos dentro de uma espécie de luva cheia de formigas-bala, cuja mordida é quase 20 vezes mais dolorida que a de uma vespa. Os garotos têm que dançar com as mãos dentro da luva durante dez minutos, e a dor é tão intensa que o corpo sofre com convulsões, e a dor pode durar até 24 horas. O mais inacreditável é que os homens da tribo repetem este ritual várias vezes durante a vida, para provar a sua masculinidade. 

A CAÇADA DOS MATIS  


                      A tribo dos Matis, que vivem na floresta amazônica brasileira, realiza quatro testes com os garotos, para que eles mostrem que podem participar das caçadas com os outros homens. Primeiro, os garotos recebem veneno diretamente nos olhos, para supostamente melhorar a sua visão e aguçar os sentidos. Depois, eles são espancados e recebem chicotadas, para depois receber a inoculação do veneno de um sapo venenoso da região. A tribo acredita que o poderoso veneno do animal aumenta a força e a resistência, o que só acontece depois que o participante do ritual sofre com fortes enjôos, vômitos e diarréia. Quando os garotos passam por esta terrível seqüência de testes, são considerados aptos a participar das caçadas da tribo.

A TRIBO SAMBIA


                     A iniciação dos garotos desta tribo de Papua Nova Guiné começa aos sete anos, quando eles são levados para longe de todas as mulheres, e passam a viver somente com homens pelos próximos dez anos. Durante o início do ritual, a pele dos garotos é furada, para que as contaminações das mulheres sejam retiradas, e eles têm que sangrar pelo nariz (foto acima, a direita) para se limparem. Os garotos também têm que consumir cana de açúcar para estimular o vômito e a defecação, com o mesmo propósito. Após a “limpeza” do corpo, eles consomem sêmen, considerado vital para que eles cresçam e fiquem fortes.  

                    Durante o processo, os garotos são informados sobre as impurezas femininas e seus perigos, e aprendem técnicas de purificação. Quando se casam eles se purificam freqüentemente contra as impurezas da esposa. Eles realizam sangramentos intensos pelo nariz toda vez que a mulher menstrua. No último passo do ritual de iniciação, os jovens têm que remover um pêlo pubiano e entregá-lo para um homem mais velho, que irá colocá-lo no lugar apropriado. Durante este estágio, o homem explica ao garoto que ele não deve ser promíscuo na sua relação heterossexual, senão será executado.

 Fonte: Hypescience

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comentários
  1. eu adorei esse texto mais na verdade eu queria saber sobre ritos rituais e simbolos

  2. katiNIGGA disse:

    Bem apesar de eu achar estas tradições meio esquisitas gostei de as ler. É sempre bom saber os rituais e o modo de vida de outras pessoas de outras países ou continentes não é?

  3. polyana;* disse:

    Muito bem elaborado o texto e as pesquisas das culturas e ritos parabéns ta excelente, encontrei tudo o que precisava para meu trabalho haha.*

  4. luiz salvador de souza disse:

    Gostei, muito instrutivo e de fácil compreenção, foi muito útil para minhas pretenções.

  5. danilo ferreira amorim disse:

    que bom que tem site deste nivel,pois tenho onde pesquisar as materias do curso das ciençias das religioes.parabensjoao bosco,ja sou seu amigo.

  6. Olá sr. João Bosco, sou reporter do Novo Jornal (Natal) e estamos com uma reportagem sobre os mártires de Cunhaú e Uruaçu para a terça-feira (04) e vamos citar a versão que o senhor escreve em seu blog sobre o assunto. Infelizmente não conseguimos o seu contato, mas assim que ler esta mensagem pedimos que responda, precisariamos de fotos suas também.
    Att

  7. eduarda disse:

    muito obg,me ajudou muito

  8. Luiza disse:

    Gostei Mais Gostaria de Rituais De Passagem Da Infancia Para A Adolecencia Em Outras Culturas :s

  9. asdas disse:

    vai se lascar

  10. ubirajara carlet disse:

    quero estudar rito de passagem tema batismo nas aguas, voce pode e ajudar , tenho encontrado dificuldade para encontra artigo antropologico que aborda este tema .

  11. juli adriane disse:

    eu queria os rituais de passagem dentro do islamismo,cristianismo e judaismo

  12. lima filho disse:

    muito interessante que você destaque também as outras matrizes religiosas,ex: oriental e ocidental

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