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Religiões afro-brasileira1

Os negros foram trazidos ao Brasil poucas décadas depois do descobrimento para trabalharem como escravos entre 1600 e 1900. Com eles o país cresceu mundialmente na extração de minérios e como produtor de café e cana de açúcar. Com a Lei Áurea, publicada em 1888, a escravidão acabou, mas os descendentes africanos não tinham como voltar ao seu país de origem. Por causa do preconceito, também não compravam terras, nem conseguiam empregos. Foi a partir de 1920, na periferia das grandes cidades, que os brasileiros conheceram melhor a religiosidade que os negros praticavam quando eram escravos. Entre elas estão a Umbanda, Candomblé e Quimbanda.

O Candomblé é o mais original culto africano no Brasil. As cerimônias acontecem em terreiros e em língua africana com cantos e ritmos de tambores. Usam jogos de adivinhação como cartas e búzios. Principalmente por conta da perseguição, houve o sincretismo do Candomblé com o catolicismo no qual se colocavam nomes africanos em santos católicos como Iemanjá (N. S. da Conceição) e Iansã (Santa Bárbara). O principal deus é Olorumaré, criador dos orixás.

Já a Umbanda é praticada em Centros Espíritas e é conhecida como Magia Branca, o que significa fazer o bem e combater a magia negra. É uma mistura de rituais africanos e europeus feita por brancos no Rio de Janeiro. Acreditam na possibilidade de contato entre vivos e mortos e na evolução espiritual após sucessivas vidas na terra, quer dizer, a reencarnação.

Algum tempo depois nasceu a Quimbanda, que pratica rituais de magia negra, e é uma ramificação da Umbanda. Magia negra significa missa negra ou magia e feitiçaria. É conhecida por realizar oferendas com animais como gatos e galinhas pretas. Cultua os mesmos orixás da Umbanda e Candomblé.

 

Ogum

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A Santa ceia, chamada assim pelo cristianismo : Católicos e protestantes é um sacramento dos mais importantes para esses dois grupos. Neste post a proposta não é analisar a questão de símbolos ou o rito, mas sim como alguns pintores retrataram a santa Ceia.

No entanto descreveremos como as igrejas cristãs tratam a questão da santa ceia.

No Evangelho de Lucas nas Sagradas Escrituras para os cristãos, ele registrou esse mandamento da seguinte forma: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da Nova Aliança ou Novo Pacto no meu sangue derramado em favor de vós.” (Lucas 22:19-20).

SANTA CEIA NA IGREJA PROTESTANTE

Dentro do protestantismo, cuja teologia remonta aos princípios da reforma e são influenciados por Lutero e Calvino, a Eucaristia é vista como um sacramento.

Nas igrejas Luteranas existe o entendimento da ceia como essência ou substância do corpo de Cristo, e não transformada no mesmo. A essa forma de entendimento dá-se o nome de consubstanciação. Para compreendermos melhor: Jesus está PRESENTE, ao LADO, não se transforma, mas no momento da Santa Ceia Ele está presente ao rito.

A proposta de Calvino, em oposição a Lutero e Zwinglio, era que na ceia ocorria a presença de Jesus, não nos elementos, mas como co-participante e co-celebrante junto com os comungantes. A essa forma de entendimento dá-se o nome de presença real.  Seria um memorial onde todos lembrariam a morte do Senhor.

Na Igreja Anglicana, o entendimento é de um sacramento, independente de como o mesmo será entendido pelo comungante. Por essa liberdade é permitida até mesmo o entendimento não sacramental da ceia.

SANTA CEIA NA IGREJA CATÓLICA

Na Igreja Católica, a Eucaristia é um dos sete sacramentos. A Eucaristia é ” o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso. Comungar ou receber a Comunhão é nome dado ao ato pelo qual o fiel pode receber a sagrada hóstia sozinha, ou acompanhada do vinho consagrado, especialmente nas celebrações de Primeira eucaristia e Crisma.

A Igreja Católica confessa a presença real de Cristo, em seu corpo, sangue, alma e Divindade após a transubstanciação do pão e do vinho, ou seja, a aparência permanece de pão e vinho, porém a substância se modifica, passa a ser o próprio Corpo e Sangue de Cristo. O pão se TRANSFORMA em carne e o vinho se TRANSFORMA em sangue.

Pelo menos 52 pinturas da Santa Ceia foram usadas para uma pesquisa sobre o aumento da oferta de alimentos no mundo, publicada no International Journal of Obesity.

Veremos na fotografia e na pintura as mais diferentes visualizações de como se imaginou esse episódio tão importante para o cristianismo.

Bassano  Jacopo

Carl Heinrich Bloch

David Lachapelle

Domenico Ghirlandaio

El Greco

Fra Angelico

Giacomo Raffaelli

Jacomart Jaume Baco

James Smethan

Joos Van Cleve

Le Nain

Leonardo da Vinci

Marithe Francois Girbaud

Marsden Hartley

Nicholas Poussin

Pascal Adolphe Dagnan

Peter Paul Rubens

 Philippe de Champaigne

Salvador Dali

Antonio Falbo

Tintoretto

 

ESTA FOI UMAMENSAGEM QUE PREGUEI QUANDO CONVIDADO A DAR UMA PALAVRA EM UMA IGREJA PROTESTANTE: MISSÃO EVANGÉLICA PENTECOSTAL DO BRASIL

ESBOÇO DA MENSAGEM

Jean Jacques Rousseau em seu livro “Contrato Social” escrevera:

“Não tenho a capacidade de ser claro para quem não quer ser atento”:

 Advertência essa que tomo emprestado antes de iniciar esta mensagem.

 TEXTO: Ef. 2.1 – 10

A GRAÇA DE DEUS É INJUSTA

PERGUNTA RETÓRICA: O que é a graça? É paciência? É fé? Se nós sabemos, porque nós erramos tanto ao falar na graça?

 INTRODUÇÃO:

            ……………………………………………………………………………………..

 Feitas essas considerações: Volto a afirmar: A GRAÇA DE DEUS É INJUSTA. Eu sei que afirmação pode soar como heresia ou como invenção teológica moderna, porém, como a seguir veremos, é uma verdade presente nas Sagradas Escrituras e tão óbvia que sempre nos passa despercebida.

Comecemos pelos conceitos

 EM PRIMEIRO LUGAR

 I – O QUE É JUSTIÇA:

 O juiz quando julga atribui a cada pessoa os seus direitos e obrigações. Justiça, então, é dar às pessoas aquilo que elas merecem, sejam coisas boas ou más.

 II – O QUE É GRAÇA:

             Contrariamente, é favor imerecido. A pessoa recebe algo sem merecer ou sem ter envidado algum esforço para tanto. É ganhar um presente. Uma dádiva.

Os conceitos de justiça e graça são como visto, diametralmente opostos.

1 – Justiça é direito. Graça é favor.

2 -Justiça é merecimento. Graça é desmerecimento.

3 – Justiça é possibilidade. Graça é necessidade.

4 – A justiça divide. A graça soma.

5 – A justiça exclui. A graça inclui.

 III – O QUE O TEXTO NOS ENSINA?

             São muitas as lições neste texto: não disponho de tempo de discorrer. Muitas doutrinas foram retiradas deste texto, me deterei a retirar apenas informações de alcance do ensino.

            Ef 2.1-7 – Descreve nossa condição pecaminosa diante de Deus.

            A salvação não tem origem nas obras que fazemos. Nossas obras não são a fonte de nossa salvação. A salvação não tem origem na qualidade e característica de nossas obras.

            Outros textos nos remetem a essa compreensão que não podemos esquecer ou deturpar essa verdade:

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            Um outro aspecto que a graça de Deus provoca no homem, refere-se ao que chamo de comportamento honrado:

            COMPAIXÃO: Se alguém não possui essa atitude, não vive um cristianismo puro!       

MISERICÓRDIA: Se alguém não experimenta de misericórdia até para com seus desafetos não está vivendo um cristianismo completo, por mais que esteja revestido de função ou cargo eclesiástico. É o pior dos pecadores por que nega a palavra de Deus ao não demonstrar misericórdia e expressa tão somente sua vontade humana e carnal diante das mais diferentes situações.

A justiça comum não demonstra misericórdia, mas apresenta os autos e justiça é fria quando se trata de determinar “COISA JULGADA”.

 COISA JULGADA: É a qualidade conferida à sentença judicial contra a qual não cabem mais recursos, tornando-a imutável e indiscutível.

            A coisa julgada evangélica é de falta de misericórdia, ela é injusta nas duas instâncias, na justiça comum e na divina.

Alguns julgam que todo o pecado parece que se remete tão somente ao sexo e adultério. Esquecem de detalhes pequenos detalhes. COMO:

1)    A falta de misericórdia

2)    A falta de compaixão pelos irmãos que pecaram

3)    A falta de amor por aqueles que um dia estiveram entre nós.

4)    Julgamentos precipitados que podem destruir uma vida.

            Eu considero esses desvios de conduta iguais ou piores do que aqueles por destroem várias pessoas.

 CONCLUSÂO:

Baseado nisso é que se afirma categoricamente que a graça de Deus é injusta e a justiça de Deus é ingrata, pois uma é contrária a outra. Afinal, se a graça do Criador não fosse injusta ela não seria graciosa; e se a justiça Dele não fosse ingrata também não seria justa.

Vejamos também uma história que ilustra muito bem esse fato da graça injusta. Mat. 20:

Graça é uma palavra pequenininha, mas é uma coisa tremenda, graça é algo que o homem não tem!

Uma coisa que não está nele.

Graça é tudo aquilo que Deus concede ao homem e não está nele.

Paulo diz 1Co.2:9: Aquilo que o olho não viu o ouvido não ouviu. Aquilo que não passou pela mente humana.

Está é uma passagem que agente sempre fala em relação ao céu.

Mas se você olhar o contexto, na passagem de Paulo, ele não está falando do céu, está falando da experiência da graça.

A experiência de contato que a pessoa tem.

Graça é tudo isso!

Jota Bê.

 

sIMBOLOS RELI

 

           Inicia-se agora uma nova fase da história da educação, foi aprovado uma nova lei que constitui, agora, o Ensino Religioso em uma disciplina com todas as propriedades, enquanto tal. Isto significa que o Ensino Religioso não se dá mais no processo linear como foi concebido até recentemente, mas por meio de articulações complexas num mundo pluralista e multiforme, pois é nela e a partir dela que se inicia o processo.

            A grande crítica quanto a essa questão fora por que ela partiu da Igreja Católica, em uma relação entre Governo e Vaticano realizando um acordo dentre muitas questões está incluído o Ensino Religioso. O acordo gera polêmicas em todo o país, especialmente porque o texto do artigo 11 do acordo diz, em um trecho, que “o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. A discórdia está na expressão “católico e de outras confissões religiosas”.

          O ensino voltado para uma determinada religião pode constranger os alunos que não compartilham dessas idéias. O texto apresentado da Lei de diretrizes e bases da Educação é explicita e extremamente objetiva quando diz: Que ” é vedada quaisquer tipo de proselitismo”.

         Porque a igreja Católica sugere reformular uma lei que na verdade fere a constituição brasileira, e os deputados federais aceitaram? Não podemos voltar ao passado, o Brasil foi por muitos anos intolerante com religiões que não fosse a católica. Passamos muito tempo sendo catequizados nas escolas. Este é um modelo atrasado que fere a diversidade cultural e social brasileira. Se um aluno hoje desejar aprender sobre modelos doutrinários religiosos, ele deve se dirigir a sua igreja, capela, terreiro, casa de oração. Na escola, o ambiente é o da educação e do conhecimento.

             A escola pública – é um espaço plural e de convívio com as diferenças onde se respeita até mesmo aqueles que são agnósticos ou ateus. Ressalte-se que, mesmo sendo um país de maioria católica, o ensino da religião católica não deve ser, em hipótese alguma, uma imposição às instituições públicas de ensino. Caso contrário estaria ferindo o princípio da laicidade do Estado Brasileiro.

             O que ajuda nesse comportamento proselitista são os profissionais do Ensino religioso. Muitos não possuem graduação específica para o exercício, foram formados em instituições de origem confessional. O cientista da religião é o profissional capacitado para o exercício da docência do Ensino Religioso em sala de aula.

          Muito se tem escrito nos jornais mas não se conhece do assunto por que se houve análises de sociólogos, de políticos, de pedagogos, mas não se houve o Cientista da Religião, este poderia desmistificar os engodos que e as gorduras que se escreve tanto sobre o assunto sem ter ciência completa do que seja o ensino religioso e o que o professor leciona em sala de aula.

Esse texto foi enviado por um amigo que tive a honra de conhece-lo nesse mes de junho. Euestava ha um tempo pensando em fazer uma serie de estudos na area. Mas ele me poupou do esforco e eu adorei. O trabalho esta muito bom e comecaremos a studa-lo hoje.

Boa LEitura.

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Ressurreição versus Reencarnação

Caminhos de vida e de morte

 

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Nesta matéria trataremos, literalmente, de uma questão de vida e morte. Aqueles que se recusam discutir sobre o assunto não percebem que estão tentando fugir do inevitável e que seu silêncio não os poupará de ter de enfrentar estas realidades da existência humana. Vida e morte não são apenas assuntos de debate para filósofos e teólogos. É o próprio cerne do universo e de tudo o que nele se encontra. O que é a vida? O que é a morte? Mesmo quem não se preocupa com estas perguntas, terá de encarar as respostas.

Dentre as principais correntes religiosas e filosóficas que procuram responde-las, as mais conhecidas são a ressurreição e a reencarnação. A primeira tem seu berço no Oriente Médio, e é proclamada pelo judaísmo e pelo cristianismo. Também fez parte do credo zoroastrista e faz parte do credo muçulmano. Quanto à segunda, é produto do Extremo Oriente, tendo na Índia sua maior expressão. É crença integrante do hinduísmo, do budismo, de algumas formas de espiritismo e de diversas correntes esotéricas, tanto antigas quanto modernas. Quando acontece de alguma corrente dessas religiões adotarem uma crença que não faz parte original de seu credo, temos como resultado o sincretismo.

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Definindo os termos

Embora os detalhes variem, podemos definir ressurreição (do grego anástasis) como a crença de que cada indivíduo que viveu sobre a terra, um dia voltará à vida em sua forma física para prestar conta dela. Uma única alma para um único corpo. Uma só e única existência para cada indivíduo. Esta ressurreição pode ser para a vida, nos casos dos que desfrutarão da bem-aventurança eterna, ou para a morte, no caso dos que receberão punição eterna.

Do outro lado, temos a reencarnação, que se define como sendo o retorno sucessivo de uma alma a corpos diferentes, passando diversas vezes pelo ciclo de renascimento e morte, até alcançar um plano superior ou, em alguns casos, pode também retornar a um plano inferior dentro da esfera física.

“Há uma verdadeira ‘salada’ de conceitos de reencarnação, com variações tanto orientais quanto ocidentais” – escreveu o apologista Norman Geisler. Segundo ele, a palavra vem do latim re, que quer dizer “outra vez” e incarnete, que vem de outras duas palavras latinas, in e carnis – “em carne”. Geoffrey Parrinder, autoridade em religiões mundiais, define a reencarnação como sendo “a crença em que a alma, ou algum poder, passa após a morte para outro corpo. Às vezes, outras palavras, tais como transmigração, metempsicose, palingenesia e renascimento, são usadas como sinônimos do termo reencarnação”.[i]

As tentativas de conciliar tais posições resulta em falácia, pois ambas fornecem respostas completamente antagônicas para as questões da vida e da morte. Não divergem em algum detalhe sem importância apenas. São totalmente distintas. São visões diferentes e irreconciliáveis do universo, aquilo que os filósofos gostam de chamar de cosmovisão.

É necessário advertir que de nada nos adianta tentar reconciliar as duas. Na verdade, precisamos fazer uma escolha. Às vezes, diante de uma bifurcação, a angústia do dilema leva a uma tentativa de junção dos caminhos, que termina não levando a lugar algum. A realidade exige uma escolha, uma decisão e não algum tipo de malabarismo filosófico.

Há muitas maneiras de abordarmos a questão da reencarnação. Escolhemos analisá-la diante da doutrina bíblica da ressurreição. É importante que aqueles que acreditam na reencarnação saibam, já de início, que o vocábulo “reencarnação” sequer é citado nas Escrituras. Não existe em lugar algum da Bíblia a afirmação de que alguém deve aguardar um retorno de seu espírito à terra em outro corpo que está sendo gerado no útero de uma mulher. Mas há inúmeras promessas para que se espere o dia da ressurreição.

 


[i] GEISLER, Norman; AMANO, J. Yutaka. Reencarnação. São Paulo: Mundo Cristão, p. 25, 1986.

 

Dia desses fui convidado a participar de um debate filosófico cujo tema fora:  “religare e diferenças”. Foi uma experiência inesquecível por vários aspectos ainda mais que a temática era sugestiva especificamente em minha área do conhecimento.

A certa altura da minha fala um dos presentes (a platéia constituída de professores, mestres, doutores e acadêmicos de filosofia) Um desses discorda de um dos apontamentos apresentados por mim.

A existência do politeísmo. Para isso, usa a argumentação sobre o hinduísmo e  sua cosmogonia incerida no panteão de deuses advindas apenas de um Braham.

Eu apenas olhei e refleti..por um momento acreditei em suas palavras, haja vista a retórica utilizada e a capacidade de convencimento daquele filósofo.

Eu? Eu fui pesquisar…para poder reafirmar aquilo que eu tinha certeza. Deixei de lado o Hinduísmo que já escrevi por aqui. Mas fui buscar respostas em duas outras religiões que passo a escrever sobre. A primeira é o Xintoísmo. A segunda será a religião Helênica..tão conhecida dos filósofos.

Vamos lá:

 

TERMINOLOGIA

 

No princípio, esta religião étnica não tinha nome, mas quando se introduziu o budismo no Japão durante o século VI, um dos nomes que este recebeu foi Butsudo, que significa “o caminho do Buda”. Assim, a fim de diferenciar do budismo, a religião nativa passou a ser chamada xinto, palavra de origem chinesa, que combina dois caracteres chineses (kanji): “shin” (?), significando deuses ou espíritos (quando lido sozinho é pronunciado “kami”) e “tō” (?), que significa caminho filosófico. Assim, xinto significa “o caminho dos deuses”. O nome chinês foi escolhido porque na época apenas o chinês era escrito no Japão, já que não haviam desenvolvido ainda a escrita japonesa.

O Xintoísmo é a religião tradicional do Japão, a única religião que pode ser considerada genuínamente japonesa, estreitamente ligada à cultura e modo de vida japonês. Shintou (神道) em japonês significa “via dos deuses”, o primeiro kanji é shin (), o mesmo kanji para kami (que significa “deus”). O segundo kanji é tô (), que significa caminho. O Xintoísmo constitui um conjunto de crenças e práticas religiosas de tipo animista devido a ausência de elementos como códigos de leis explícitas, filosofia textualmente definida, profetas ou um livro sagrado mais elaborado. Entretanto a imensa influencia xintoista no comportamento e no modo de vida dos japoneses, perceptível não só em seus diversos rituais, mas em todos os aspectos da sociedade e da vida, bem como sua ampla abrangência em seu país de origem, garante a esta concepção místico-filosófica o estatuto de uma das grandes religiões do mundo. Diferente do Budismo, que têm origem indiana e influência chinesa, o Xintoísmo é dominante apenas em seu país de origem, embora sua prática não implique no abandono ou repúdio a outras formas de crença. Não se trata de uma concepção exclusivista, convivendo pacificamente e até complementarmente com outras práticas religiosas.

 

O estudo do Xintoísmo é vital para o entendimento da cultura japonesa, sua visão de mundo determina boa parte do comportamento nipônico, como sua capacidade de adaptação e absorção de novas idéias ao mesmo tempo em que preserva as antigas, sua boa recepção a novas culturas e idéias, seu comportamento que valoriza a ética e a saúde e seu sentimento de nacionalismo.

 

O termo japonês Kami (deus) significa “algo elevado”, “divino”, “superior” “absoluto”. Não existe tradução precisa mas o termo é atribuído aos espíritos sagrados, deuses e divindades em geral. Como ocorre muitas vezes com traduções, muito do significado original do termo pode se perder, e talvez o melhor a ser feito, no caso do conceito de kami, é não traduzi-lo, e sim entender que tipo de seres espirituais são englobados no conceito de kami.

 

Pesonagens humanos que realizem grandes feitos, heróis, e o próprio imperador, descendente direto de AMATERASU, recebem veneração comparável a dos kami. No caso dos hérois o feito pode ser de qualquer ordem, militar, social ou artístico, podendo esta celebridade receber santuários. Mas lembremos que isso não significava torna-lo equivalente a um Kami original-absoluto (deus), pois não se perde a noção do limite que o separa de um ser humano. Apesar disso na verdade o que se admira não é o personagem humano em si, mas sim a sua parte divina que o permitiu realizar o que quer que tenha feito.

 

O Xinto não se propagou de forma significativa para fora do território japonês, porque é uma religião nacionalista por excelência. No entanto, influenciou fortemente praticamente todas as religiões que já chegaram ao Japão, inclusive algumas que se popularizaram depois em outros países, como por exemplo, a Igreja Messiânica, o Budismo Terra Pura e o movimento Seicho-No-Ie.

 

HISTÓRIA

 

De origens imemoriais, o Xintoísmo passou por diversas fases evolutivas em sua história, desde as origens até à atualidade.

 

As origens mais antigas do xintoísmo são desconhecidas, mas acredita-se que começou a se formar provavelmente no período Jomon.

 

O Budismo foi introduzido no século VI e trouxe graves consequências para o Xintoísmo. Vindo da Coreia, apresentado ao imperador, o Budismo, apesar de algumas resistências iniciais, acabou por triunfar, tendo servido para a consolidação do poder imperial, com o apoio dos governantes locais.

 

Apesar disto, a tendência geral, e mais conforme à mentalidade do Oriente, foi a de fundir as duas religiões, mas sob a égide do Budismo.

 

Durante longos séculos, o Budismo impôs a sua influência, sobrepondo-se à religião tradicional, que porém não desapareceu.

 

Face ao domínio duma religião estrangeira desde logo vários pensadores e sacerdotes procuraram manter a dignidade e o papel desempenhado pela religião tradicional. Na Idade Média, vários destes pensadores fizeram uma união entre os dois tipos de divindades, mas em sentido contrário ao já referido: os budas eram na verdade kami encarnados, que assim deixavam o seu estado original para descerem à terra.

 

Nos sécs. XVI-XVII, viveu-se um momento de renascimento da cultura japonesa, com o consequente afastamento de influências estrangeiras. Apesar de o Budismo não perder substancialmente o seu terreno, ficou agora relegado para segundo plano, a favor de uma tendência nacionalista que se afirmava, e que atingiria o seu ponto culminante no período seguinte.

 

No âmbito da ideologia profundamente nacionalista da era Meiji, a escolha duma religião oficial recaiu naturalmente sobre o Xintoísmo, já antes aclamado como a religião verdadeiramente original do povo japonês, considerado pelo regime como superior a todos os outros.

 

Criou-se então o chamado Xintoísmo de Estado, uma espécie de sacralização do Estado, ou melhor, laicização do Xintoísmo. De facto, o Xintoísmo foi despido do seu carácter religioso para se tornar um dever cívico de reverência ao Estado e ao imperador.

 

O Xintoísmo de Estado permaneceu em vigor durante algumas décadas. Como expressão do nacionalismo japonês, exacerbou-se particularmente por ocasião da 2ª Guerra Mundial. Com a derrota do Japão, precipitou-se o seu processo de queda. Em 1946, foi proclamada a nova Constituição, pela qual o imperador foi destituído de todas as prerrogativas divinas e de todo o poder político, tornando-se apenas símbolo da unidade nacional.

 

VARIEDADE XINTOISTA

 

Reconhecem-se várias expressões do xintoísmo, que são o resultado da evolução histórica da religião, lugar da sua manifestação e prática religiosa dos adeptos.

Xintoísmo dos santuários: é o conjunto de crenças que se exprimem através das festas e das venerações nos santuários. Praticamente todos os santuários pertencem à Associação dos Santuários (Jinja honchó), fundada em Tóquio no ano de 1946.

Xintoísmo doméstico: exprime-se nos lares japoneses. Nas casas xintoístas existe em geral um pequeno altar consagrado aos deuses, o kamidana. Em cima deste altar encontra-se muitas vezes um amuleto oriundo do santuário local, do Grande Santuário de Ise e em alguns casos. Nestes altares colocam-se oferendas (saquê, arroz, sal) e recitam-se orações.

Xintoísmo imperial: é o resultado do desenvolvimento na casa imperial da prática dos ritos e cerimónias do xintoísmo.

Xintoísmo popular: caracteriza-se pela ausência de uma sistematização doutrinária e de uma organização. É o tipo de xintoísmo praticado essencialmente pelo indivíduo.

Xintoísmo das seitas: é composto essencialmente pelas treze seitas reconhecidas pelo Estado dos Meiji entre 1876 e 1908. Estas seitas possuem em geral um fundador (homem ou mulher). Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, os grupos xintoístas que não pertenciam a uma das treze seitas não eram reconhecidos pelo Estado, o que gerou a integração de muitos desses grupos numa das seitas existentes. Depois da guerra, e tendo sido declarada a liberdade religiosa, alguns grupos estabeleceram-se como organizações independentes.

 

ESCRITURAS SAGRADAS

 

O xintoísmo não possui um livro sagrado, como a Bíblia ou o Alcorão. Há no entanto um conjunto de textos sobre os ensinamentos da religião que recebem o nome de Shinten, “escrituras sagradas”, mas não são considerados textos revelados ou de carácter sobrenatural.

Kojiki (“Anais das coisas antigas”): datado de 712, é o texto sagrado mais antigo, sendo composto por três volumes.

Nihonshoki (“Crônicas do Japão”): foi redigido em 720 em chinês em 30 volumes. Também conhecido como Nihongi.

Kogo-shui: compilação das tradições do clã dos Imbe, uma família que junto com a família dos Nakatomi era responsável pelos ritos. A sua redacção foi concluída em 807.

 

Estes livros apresentam as narrativas míticas da tradição xintoísta. Os mitos descritos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa amorfa e indistinta, “como num ovo”. Os deuses surgiram desse caos.

 

CRENÇAS DO XINTOÍSMO

 

A – KAMI

 

O xintoísmo baseia-se no culto aos kami (). Esta palavra é frequentemente traduzida por “deus” ou “divindade”, o que não traduz completamente o conceito, dado que os kami pode ser também forças vitais ou espíritos da natureza. Ao contrário dos deuses das outras religiões, os kami não são onipotentes ou oniscientes, possuindo poderes limitados. Nem todos kami são bons. Alguns kami são locais ou conhecidos como espíritos de um local em particular ou a lugares (montanhas, ervas, árvores, vales, rios, mares, encruzilhadas. Outros representam elementos ou processos da natureza, como por exemplo, Amaterasu, a deusa do Sol, Tsukiyomi, deusa da lua, Susanoo, deus da tempestade.

 

Existem kami ligados a fenómenos meteorológicos (chuva, vento (Fujin), trovão…), e kamis associados à vida humana (vestuário, transportes, ofícios, etc.). Incluem-se ainda no conceito de kami os espíritos de homens notáveis, como de certos guerreiros. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo.

 

Os textos xintoístas referem-se a “oitocentas miríades” de kami (yaoyorozu no kami); este número não deve ser interpretado literalmente, pretendendo-se apenas transmitir a noção de que existem inúmeros kami. Os kami não são perceptíveis pelo ser humano.

 

Podem ser divididos em dois tipos: os que habitam no céu (amatsukami) e os que habitam na terra (kunitsukami). Os primeiros trazem à terra influências positivas, enquanto que os segundos mantêm-na como ela.

 

O kami mais eminente é a deusa-sol Amaterasu O-mikami, antepassada da família real japonesa. O seu santuário principal é o Grande Santuário de Ise.

 

B – O HOMEM

 

Descendentes dos deuses, os humanos são pela visão xintoísta, seres a princípio puros e bons tal como seus ancestrais. Não existe como no Cristianismo, o Pecado Original, que impregna todo o ser humano desde que nasce tendo que ser purificado pelo batismo da igreja. Ou a decadência de um estado superior, como foram as idades de Ouro, Prata, Bronze até chegar a idade do Ferro, como há na mitologia grega, seu correlativo Hindu e seus equivalentes Gnósticos, ou o estigma de um sofredor por natureza, como no caso do Budismo.

 

Para o Xintoísmo, o homem tem uma natureza essencialmente espiritual. O ser humano é considerado filho dos Kami. De facto, as relações entre homens e divindades são sempre descritas em termos de antepassados, filhos, netos, descendentes. O homem é da mesma natureza dos Kami, a quem deve a sua vida e a sua felicidade.

 

A vida neste mundo é considerada como algo desejado pelos seres divinos, pelo que o homem tem o dever de viver plenamente. Contrariamente à percepção negativa do Budismo sobre a existência (ver Samsara), para o Xintoísmo o tempo presente tem grande importância, está no centro do universo, e o homem deve reconhecer-lhe essa importância, dando valor à existência individual. Embora se admita a existência dum além, este não é visto como algo de valor superior a este mundo, mas apenas como uma realização mais perfeita desta vida terrena. Daí que a escatologia xintoísta seja extremamente vaga: estamos diante duma religião deste mundo, que se centra no homem vivente pleno e concreto inserido nesta vida que procura realizá-la ao máximo já aqui.

 

Sendo da mesma natureza e origem dos Kami, o homem é naturalmente bom e perfeito. Está completamente ausente no Xintoísmo qualquer ideia de pecado original, que seria um obstáculo ao carácter sagrado do homem e à sua filiação divina. O homem não é um ser voltado ao mal. Simplesmente, por influência de espíritos malignos, a sua vida neste mundo não é plenamente realizada. Sucumbe muitas vezes a tentações, cometendo crimes e acções erradas e dando origem a impurezas. Tem, contudo, a possibilidade de triunfar pelas suas próprias forças, pois dos Kami recebeu naturalmente tendências e faculdades para realizar plenamente o bem. Mas, mesmo quando faz o contrário, é fácil regressar à pureza original.

 

Vemos que o Xintoísmo, no que diz respeito ao homem, é profundamente optimista e valorizador da existência humana e mundana.

 

Quando o kami IZANAGI se banhou em um rio para se limpar das impurezas das trevas, deu origem ao mito da purificação. Segundo o Xintô, tudo na natureza é influenciado pela pureza e a impureza, principalmente o ser humano. Este deve então buscar a constante purificação com o objetivo da elevação espiritual, única maneria de se tornar merecedor da ajuda dos deuses.

 

Muitas atitudes da vida mundana mesmo as necessárias, implicam em impurezas, principalmente as associadas com o sangue. Matar animais ou outros seres humanos torna a pessoa impura, necessitando de um ritual de purificação. Até mesmo o parto e a mestruação feminina são períodos de impureza que faz necessária a prática constante da purificação.

 

Segundo o Xintô, todo o valor decorre da pureza, o ser humano só encontrará a verdadeira iluminação em seu estado puro. A vida na impureza conduz a desgraça e ao sofrimento, gera marcas que atraem espíritos malignos e desperta o repúdio e a ira dos deuses.

 

Quando um ser humano pratica o mal, ele está sobre influência do Yomi, a essência negativa do universo, através de suas entidades malignas e energias impuras. A ele resta então praticar a purificação e o reencamihamento a luz.

 

Para o Xintô, todo o pecado não passa de um sujeira temporária acumulada posteriormente, entretanto os que se entregam a maldade, cultivando-a e abnegando-se da purificação, invariavelmente serão punidos pelos Kamis.

 

Aquele que insiste na maldade acabará tendo por resultado o destino do mundo subterrâneo, os infernos, e talvez a incorporação ao Yomi (demonio).

 

Existem básicamente 3 tipos de impurezas, “pecados”, que podem envolver o ser humano.

 

Os WAZANAI são as desgraças, os infortúnios que se abatem sem culpa do indivíduo, mas os quais também precisam ser lavados.

 

Os KEGARI são as manchas em geral do dia a dia, a manipulação de cadáveres inclusive de animais, a sujeira pelo sangue, condutas levianas ou imprudentes.

 

Os TSUMI são os “pecados” propriamente ditos, as maldades cometidas deliberadamente.

 

Dessa forma há os três principais ritos de purificação:

 

O HARAI promove a purificação do “pecados”, TSUMI. O rito do HARAI se baseia na punição de SUSANOWO, com o qual guarda semelhanças como a oferta de oferendas.

 

O MISOGI faz a limpeza das impurezas obtidas não intencionalmente, manchas, os KEGARI. Também usado para purificar o ser humano das desgraças das quais ele pode ser vítima, WAZANAI, sendo esse ritual baseado no mito do banho de rio de IZANAGI.

 

O IMI é basicamente a abstinência de certas atitudes impuras, alimentos, bebidas, ou atividades que resultem em impurezas pelo menos por algum tempo. De caráter poder-se-ia dizer mais preventivo, é aplicado principalmente ao KEGARI.

 

COSMOLOGIA e COSMOGONIA

 

Em relação à estrutura do mundo, existem duas concepções diferentes, que se cruzam e se tomam muitas vezes em paralelo, sem se contradizerem, pois representam duas perspectivas diferentes e complementares.

 

A primeira delas é vertical e fala de três mundos distintos: a “Alta Planície Celeste”, morada dos kami do céu, de onde eles descem, para dar paz, ordem e felicidade. É um mundo descrito como reflexo do mundo dos humanos, uma espécie de Japão plenamente belo e perfeito; segue-se o “País do Meio da Planície dos Canaviais”, morada dos homens, onde os kami desceram; por último, o chamado “País de Yomi”, subterrâneo, moradia dos mortos, terra de máculas e de pecados, onde habitam os espíritos malignos que influenciam o homem para o mal. Esta tradição é a principal da mitologia xintoísta e reflecte os meios aristocráticos.

 

A segunda concepção é horizontal, e coloca lado a lado o “País do Meio” e o chamado “País dos Mortos” que, ao contrário do que o nome indica, é uma terra de delícias, situada para além dos mares, onde habitam os espíritos purificados dos antepassados, que visitam este mundo, trazendo felicidade e protecção aos viventes. Esta concepção é de cariz mais popular. Há que notar, mais uma vez, que o Xintoísmo atribui a importância fundamental a este mundo. De facto, tanto kami como antepassados, embora habitem noutros planos, conservam estreitas relações com o mundo dos humanos.

 

É claro que estas concepções devem ser lidas, não de modo físico, sob o qual se tornariam ultrapassadas, mas de modo metafísico, como na religião cristã.

 

AS FORÇAS DA NATUREZA

 

Há que reconhecer que o homem vive graças à natureza, a tudo quanto ela lhe fornece, pelo que a sua atitude deve ser de profunda gratidão e reverência. Mesmo quando a natureza se desenfreia, o ser humano é forçado a reconhecer que muito maiores são os benefícios que dela recebe. O homem, apesar de todo o seu avanço tecnológico, não possui poder pleno, e deve reconhecer a sua humildade, num espírito de coexistência pacífica.

 

Há inúmeras divindades ligadas a elementos naturais, o que atesta que tudo é governado pelos kami. Logo, a natureza reveste um carácter sagrado, regendo-se por uma vontade e sensibilidade próprias, por uma espiritualidade misteriosa, mais do que propriamente por leis naturais.

 

Sendo que toda a natureza descende de “kamis” assim como a humanidade, fica claro que tudo está interligado tendo como origem em comum um ancestral divino. Assim sendo o ser humano e a natureza, seus elementos, minerais, vegetais e animais, são parentes.

 

A vida dessassociada da natureza é incompatível com o Xintô, o ser humano não deve combatê-la ou transformá-la sem necessidade vital. É comum aos praticantes xintoístas o retiro para ambientes onde possam promover a integração com a natureza, uma forma de purificação, elevação espiritual, e oportunidade para reflexão e meditação.

 

Como já foi dito na introdução, o Xintô e a própria cultura japonesa pregam que sendo a natureza sagrada, sua destruição é indesejável, e não existe o sentimento de hostilidade inerente recíproca imperante no ocidente.

 

Outra prática bastante disseminada é a deificação de determinados elementos naturais em especial. Como por exemplo a árvore que representa um família ou um rocha que ocupa lugar de destaque em determinada cidade. Principalmente na antiguidade, era tradicional em muitas aldeias a veneração de algum “ícone” que representasse bem seu povoado ou dinastia.

 

O comportamento xintoísta é tão avesso a interferência no cenário natural, para ele é sagrado e perfeito, que qualquer atividade que implique em utilização ostensiva dos recursos naturais deve ser recompensada no mínimo com a construção de um templo dedicado a natureza.

 

ÉTICA XINTOISTA

 

Como vimos, o homem é considerado como naturalmente bom e puro, participante da natureza dos kami, e que o pecado e a impureza se devem a influências malignas dos espíritos habitantes do mundo inferior. Por isso, o homem recebe directamente dos kami uma componente natural, um ideal celeste a ser realizado nesta vida, modelo de vivência dado e aceite como meta, e que representa a ligação da vida humana à vida divina. Este é o maior conceito moral do Xintoísmo, o chamado michi, termo que significa “caminho”. Trata-se de um ideal de justiça e de carácter, de que ninguém se deve afastar, elemento básico da vida xintoísta e do próprio culto. O michi, obediência ao curso da natureza, reveste-se duma extrema simplicidade e naturalidade.

 

Para o Xintoísmo, a vida só alcança o seu sentido e a sua finalidade se for vivida na pureza, que é o seu estado natural. A vida que não leva isto em conta é radicalmente antixintoísta e não agrada aos kami que, desgostosos, podem mandar vários tipos de desgraças para avisar o pecador, e até mesmo castigá-lo. Procura-se esse ideal de pureza, tanto corporal como mental e espiritual, que leva o homem à sua plenitude. Embora o homem não possa controlar tudo o que acontece e pode danificar a sua pureza, tem a responsabilidade de procurar viver uma vida autenticamente xintoísta, recta, clara e honesta, segundo a vontade dos kami.

 

Vítima de forças que lhe escapam, o homem corrompido é alguém que deixou de pertencer, durante algum tempo, ao mundo da bondade e da felicidade, possuindo, porém, o direito de voltar a ele. Por isso, o pecado e a falta moral, embora reconhecidos, revestem um carácter diferente do que têm para os ocidentais.

 

Aquilo que pode danificar a pureza pode ser de carácter voluntário ou involuntário. As faltas voluntárias são verdadeiros pecados, da responsabilidade daquele que os pratica, e denominam-se tsumi. As faltas involuntárias não fazem, obviamente, a pessoa incorrer em igual responsabilidade, embora ela possa ter contribuído para a situação, devido à sua má conduta ou imprudência. Incluem-se neste grupo as calamidades ou desgraças (wazawai) e as manchas, impurezas (kegari), adquiridas por contactos com elementos como a cadáver, o sangue, as relações carnais, etc. Estes males, como vimos, têm origem no mundo inferior, que envia as calamidades e impurezas e incita aos crimes. Para afastar a sua nefasta influência, realizam-se vários tipos de exorcismos.

 

Isto, que parece uma confusão entre mal moral e acontecimentos fortuitos, tem a sua justificação no preceito fundamental da pureza que, para muitos pensadores xintoístas, se sobrepõe aos ritos e ao culto.

 

Tudo isto é a concepção geral acerca da moralidade. No que se refere ao concreto, as concepções morais rigidos do Xintoísmo apresentam bastante pobreza, pois não se encontram códigos morais definidos propriamente ditos, como existem noutras religiões orientais, como o confucionismo, por exemplo. O michi apresenta-se como algo extremamente vago e simples, o que pode levar a pensar que o Xintoísmo rejeita propositadamente qualquer tipo de regras concretas de moral.

 

Mas, a este respeito, um grande teólogo xintoísta, Motoori (1730-1801), apresenta uma teoria interessante. Diz ele que os homens foram naturalmente dotados pelos kami de conhecimento do que devem ou não fazer, pelo que não precisam de códigos morais. Se necessitassem de tal coisa, seriam inferiores aos animais que, embora em grau inferior, sabem como devem proceder. A ausência deliberada dum código moral no Xintoísmo é, para Motoori, motivo de orgulho, pois significa que aos japoneses basta-lhes seguirem a moral do coração e do espírito puro, neles inscrita pelos kami. Os chineses e outros, por exemplo, com as suas abundantes teorias morais, só mostravam que eram, na verdade, pessoas perversas e depravadas.

 

CULTO XINTOÍSTA

 

As práticas do Xintoísmo têm a finalidade de se dirigirem aos kami, para que escutem a oração dos fiéis. As orações podem ter diversos sentidos: pedidos, muitas vezes relacionados com a vida do dia-a-dia ou com alguma ocasião importante; acções de graças, por um benefício concedido, uma meta atingida, um obstáculo ultrapassado; promessas de acção futura em favor dos homens e da sociedade; tentativas de aplacar a fúria dos kami, irritados por alguma coisa; ou, muito simplesmente, para os louvar, rendendo-lhes homenagem sincera, sem esperar propriamente nada de especial em troca.

 

Através de vários elementos, os fiéis podem estabelecer relação com os kami, relação muitas vezes de carácter filial, em que uma divindade é tutelar de dada região ou localidade. Os “paroquianos” estabelecem especial ligação com esse kami, que os atende e protege, nos mais variados acontecimentos da sua vida.

 

CLERO SACERDOTAL XINTOÍSTA

 

Os santuários têm ao seu serviço um número variável de sacerdotes, que neles oficiam de vários modos. São designados pelo termo kannushi, que significa “pessoa que pertence ao kami”, ou então pelo termo chinês shinkoki, “pessoa cuja profissão é servir a divindade”.

 

A sua principal função é a de servir e adorar os kami e servir como um elo entre eles e os crentes através da execução dos ritos nos santuários, visando assegurar a proteção do povo japonês e do imperador.

 

Não costumam falar em público, tendo sido mesmo proibidos disso em 1885, no contexto do Xintoísmo de Estado. Hoje em dia, porém, os sacerdotes pregadores começam a ser apreciados. Não são considerados como chefes ou guias espirituais, mas somente como oficiantes de atos de culto, a pedido dos fiéis e em seu benefício.

 

O sacerdócio xintoísta é aberto às mulheres. As sacerdotisas têm mesmo tendência a aumentar, encontrando-se algumas à frente de grandes templos. O sacerdócio feminino desenvolveu-se no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Para além de sacerdotisas, as mulheres podem ainda ser mikos. Uma miko é uma virgem que leva uma vida monástica, ajudando os sacerdotes a executar os ritos nos templos e executando as danças sagradas. Exercem estas funções durante cinco a dez anos.

 

Os sacerdotes repartem-se por várias categorias. A mais elevada é a de Princesa consagrada ao kami, uma princesa virgem da família imperial. Atualmente, só existe uma, no santuário de Ise. Em seguida, temos o Grande Sacerdote, à frente de cada santuário, e depois o restante clero, que se reparte por funções diferenciadas.

 

Hoje em dia, verifica-se uma nova preocupação em revitalizar o Xintoísmo e os santuários, buscando novas tendências, pelo que se tem agora grande cuidado com a preparação intelectual e teológica dos candidatos a sacerdotes. Os regulamentos atuais prevêem vários diplomas possíveis, dos quais pelo menos um é exigido aos sacerdotes, que apenas o obtêm após vários anos de estudo em universidades ou institutos especiais. Hoje em dia a formação de um sacerdote xintoísta é garantida pela frequência de um curso na Universidade de Kokugakuim ou da Universidade de Kogakkan.

 

Os sacerdotes, uma vez consagrados, mantêm as suas funções habitualmente toda a vida, mesmo não sendo obrigados a exercê-las. Moram fora do santuário, com exceção do Grande Sacerdote. Os sacerdotes xintoístas não são obrigados a levar uma vida de castidade, podendo casar e fundar uma família, o que geralmente fazem.

 

As vestes sacerdotais apresentam grande beleza artística, de raízes nos séculos passados, mas só são utilizadas nos santuários e em ocasiões especiais na rua. A indumentária para o culto fica completa com um toucado especial e sapatos próprios. Sobre a testa de um “Yamabushi”, coloca-se uma pequena caixa preta chamada “tokin”, que é amarrada à sua cabeça com um cordão preto. Durante as cerimónias, os sacerdotes costumam trazer também uma espécie de ceptro de madeira, que tem um significado purificador, mas sobre o qual não recai qualquer tipo de veneração.

 

Fora das funções rituais, os sacerdotes não usam qualquer tipo de sinal exterior, que os distinga dos leigos.

 

CONSTRUÇÃOD E TEMPLOS

 

As montanhas no Japão são muito numerosas e estão envolvidas nos aspectos da vida diária, é delas que brotam os rios, e são consideradas sagradas. Não são kami em si, mas sim moradias de kami. O território montanhoso é tão respeitado que mesmo hoje em dia, o alpinismo não é uma atividade muito difundida pelo povo japonês, e isso num país onde é difícil ver todo um horizonte livre da presença de montanhas.

 

É muito comum a contrução de templos nessas regiões, assim como cerimônias de deificação e requisição de boas colheitas à “deusa do arrozal” que vive nas montanhas. Nas lendas japonesas as montanhas ocupam lugar de destaque na associação com grandes desafios, buscas e peregrinações.

 

Os santuários xintoístas espalham-se por todo o Japão, constituindo lugares privilegiados de culto. Mas, embora surjam por todo o lado, têm geralmente alguma razão especial para existir: um fenómeno natural, um acontecimento histórico ou mítico, a simples devoção pessoal ou o patronato político. Também os há motivados por revelações em sonhos, ou porque simplesmente era necessário um lugar de culto naquele local.

 

Quando o local de construção de um novo santuário é escolhido, põe-se em prática uma série de ritos, destinados a purificar o lugar e a invocar a presença do kami, para que se digne vir habitar naquele sítio. Se mais tarde for decidido deixar aquele santuário ou mudá-lo para outro lugar, existem os ritos inversos, pelos quais se convida delicadamente o kami a retirar-se.

 

O santuário encontra-se na base do Xintoísmo. É nesse local que a divindade habita e que escuta os seus fiéis, e é também centro de ligação da comunidade e de partilha de identidade. Neste contexto, podem distinguir-se três grandes tipos de santuários, conforme a abrangência que possuem:

os de dimensão local, centros de partilha de uma comunidade reduzida, onde se venera o kami da localidade. Este tipo de santuário congrega em torno de si as pessoas da aldeia, que sentem uma filiação comum em relação à divindade. O santuário aparece como local de estreitamento de relações entre kami e paroquianos.

santuários de tipo particular, mais abrangentes, procurados por motivos concretos e determinados, como o êxito nos negócios ou nos estudos, ou outro tipo de protecção especial. Este género de santuários encontra-se por todo o Japão.

por último, os grandes santuários nacionais, destino de peregrinação de milhões de pessoas, todos os anos, dos quais o mais importante é o de Ise, já referido, em honra da deusa Amaterasu, e que está directamente ligado à casa imperial.

 

Além destes, há ainda templos dedicados a kami de guerra, a valores marciais ou em honra de pessoas notáveis, a quem se pedem favores específicos.

 

O santuário é entendido como um local onde as pessoas se vêm “refrescar” espiritualmente. Neles, está-se em profunda comunhão com a natureza, que abre o homem a uma espiritualidade plena e à identificação pessoal com os kami.

 

Os templos xintoístas podem assumir as mais diversas formas e tamanhos, mas apresentam certos aspectos em comum. Todos eles são constituídos por um edifício, ou um conjunto deles, inseridos num espaço envolvente, rodeados pela natureza. Têm particular importância as árvores, principalmente a árvore sagrada, sakaki, utilizada em muitos dos rituais.

 

O espaço em volta do edifício principal é por vezes muito extenso, e apresenta-se dividido em várias partes. Ao longo do caminho, que nunca é em linha recta, encontra-se uma série de diferentes elementos separadores, que marcam também etapas duma caminhada espiritual. São eles:

os torii, muito característicos dos templos japoneses, que são uma espécie de portais sem porta, constituídos por dois postes verticais e duas traves horizontais. Aparece um de imediato no início do caminho e depois geralmente mais dois, ou mesmo uma grande fila deles. A série de torii repete-se para cada via de acesso ao santuário;

pontes, por vezes várias, até se chegar ao templo algumas monumentais e muito elaboradas. A água é um elemento purificador, pelo que os cursos de água debaixo das pontes constituem uma eficaz barreira contra toda a impureza;

barreiras e paliçadas, com portas, que simbolizam a entrada no local sagrado, reservado ao homem puro.

 

Encontram-se também jardins, lagos, lanternas. Ainda antes de se chegar ao edifício principal, depara-se um tanque de água limpa, geralmente abrigado por um alpendre, no qual os fiéis se lavam, purificando-se de todas as impurezas e pecados, servindo-se, para isso, dumas colheres compridas de bambu, para tirar a água.

 

É costume também, em ocasiões solenes, libertar aves, peixes e outros animais.

 

Chegamos, finalmente, ao edifício do templo. Pode haver vários, num mesmo santuário, dirigidos a diferentes kami. Têm geralmente dimensões modestas, não obstante a grande diversidade de tamanhos. São constituídos por três secções:

uma sala de orações (Haiden) para os fiéis, onde eles dirigem as suas preces ao kami. À entrada está uma grande caixa de madeira, para depositar moedas, e um sino, ligado a uma corda, que serve para advertir o kami da presença do fiel;

uma sala de oferendas, reservada aos sacerdotes (Heiden);

uma sala mais pequena (Honden), nunca visitada, considerada a morada física do kami, e onde podem estar depositados objectos simbólicos, como espelhos, jóias ou espadas, invólucros onde reside o espírito da divindade. O espelho, particularmente, é considerado morada privilegiada do espírito divino, e tem origem muito antiga, sendo já mencionado na mitologia japonesa.

 

Alguns templos prevêem nos seus estatutos serem totalmente reconstruídos periodicamente. É o caso do templo de Ise, reconstruído de vinte em vinte anos. Essa ocasião é rodeada de ritos próprios, para convidar o kami a mudar de residência. Embora reconstruídos, os templos mantêm o estilo do anterior, pelo que os novos não diferem dos antigos e originais.

 

Alguns santuários possuem também uma espécie de museu, não raras vezes repleto de peças de grande valor, consideradas espólio da divindade.

 

Os ritos exercidos nos santuários, apesar de muito diversos, apresentam o seguinte esquema: o sacerdote, depois de purificado, invoca o kami. Faz ofertas propiciatórias, de bebidas e alimentos, a que se segue a oferta de jogos, danças e representações, para entreter a divindade. No fim, o kami é convidado a retirar-se, seguindo-se uma refeição fraterna.

 

RITOS DE PASSAGEM E  PURIFICAÇÃO

 

A purificação é uma prática fundamental em toda a prática xintoísta. É por ela que o homem se liberta, regressando ao seu estado inicial de pureza, a que tem direito. Para a purificação, que antecede qualquer acto religioso, particular ou comunitário, utilizam-se diversos ritos, que assumem formas diferentes.

 

Os vários momentos da vida humana, muitas vezes ligados a ritos de passagem, são ocasião para realizar um tipo de festas de motivação mais pessoal, realizadas no seio da família. São ocasião de agradecimento, de pedido e de renovação de propósitos para com os kami.

A primeira apresentação no santuário ou hatsumyia mairi consiste em levar ao santuário local os recém-nascidos para serem apresentados às divindades. No caso dos meninos a apresentação ocorre no trigésimo primeiro dia e nas meninas no trigésimo terceiro dia (embora possam ocorrer variantes locais quanto ao número de dias). No passado era hábito a criança ser levada ao santuário pela avó, porque se considerava que a mãe estava impura por ter dado à luz, mas hoje em dia a criança é muitas vezes levada pela mãe.

 

Shichigosan

 

No dia 15 de Novembro as famílias deslocam-se aos santuários com os filhos para agradecer aos kami o fato destes gozarem de saúde e para orar pelo seu crescimento. As crianças que acompanham os pais são os meninos de três e cinco anos e as meninas de três e sete anos. O nome do festival deriva precisamente da idade das crianças: shichi(sete), go (cinco) e san (três).

 

Celebração da maturidade

 

A 15 de Janeiro celebra-se a festa da Idade Adulta (Seijin Shiki). Nesse dia os jovens com vinte anos reúnem-se nos santuários para receber uma bênção, embora a festa também possua um carácter estatal, com cerimónias nas prefeituras. A Constituição japonesa atribui a maioridade aos jovens que atingiram os vinte anos.

 

Outros momentos

 

votos por um parto fácil: no quinto mês, a mulher grávida coloca no ventre um cinto de tecido branco, purificado, para proteger o feto, e ora pela criança que vai nascer;

as festas chamadas de sekku, que para os meninos é no dia 5 de Abril, em que se estendem estandartes em forma de carpa, se fazem bonecos em figura de guerreiros e se oferecem bolos. Para as meninas, é no dia 3 de Março, em que se colocam bonecas sobre um estrado e se oferecem bebidas, doces e bolos;

a entrada na vida activa, que é ocasião para o jovem agradecer aos kami, comprometendo-se a dar o seu melhor para o serviço da sociedade;

o casamento, que é celebrado numa cerimónia muito solene, na presença de um sacerdote, que inclui oferendas, orações e promessas aos kami, seguindo-se um banquete;

a expulsão das maldições. Certas idades são consideradas nefastas, sujeitas a desgraças: 35, 42 e 61 anos para os homens e 19, 33 e 37 anos para as mulheres. Nessas alturas, um sacerdote realiza um exorcismo próprio e recomenda bastante prudência, pois as dificuldades ameaçam acumular-se;

as festas de longevidade: certos aniversários são comemorados com uma festa familiar e uma visita ao santuário. É o que se faz no 60º, 70º, 77º, 80º, 88º, 90º e 99º aniversários.

 

Os kami não suportam a impureza, pelo que se exerce sempre um conjunto de práticas purificativas antes do culto propriamente dito, que tornam puros os participantes, os objectos e as oferendas. Os ritos de purificação assumem três formas distintas:

o misogi, que consiste na purificação por meio da água. A água é tida como poderoso elemento purificador, crença já muito antiga, pois é referida na mitologia: o deus Izanagi, depois de fujir dos infernos, banhou-se na água dum rio, para se purificar das imundícies contraídas naquele lugar. Ao banhar-se ou lavar-se na água, o fiel xintoísta obtém a purificação das impurezas, tanto das voluntárias como das involuntárias. Pela água, purifica-se o corpo e a alma. O misogi é depois estendido a níveis sucessivamente superiores: o coração, o meio envolvente, a alma;

o harai, que é um tipo de purificação algo próximo do exorcismo. É realizado por um sacerdote, que agita sobre o que deve ser purificado ramos da árvore sagrada, sakaki, ou uma vara com tiras de papel penduradas, ónusa e joga-se um punhado de sal. Por este meio, obtém-se a purificação de todas as manchas, corporais e espirituais, bem como o afastamento de todas as influências malignas.

 

Duas vezes por ano, no fim de Junho e de Dezembro, realiza-se uma purificação solene, ou grande exorcismo, o chamado o-harai. No recinto do santuário, reúnem-se muitas pessoas, que recebem umas tiras de cânhamo ou de papel branco (kirinusa). Depois de recitar a oração de purificação, o sacerdote agita a vara com os papéis, enquanto as pessoas agitam também as suas tiras. Estas tornam-se objectos de substituição, contendo todas as impurezas, e são lançadas a rios ou ao mar. Nalguns santuários, um exercício semelhante é feito com papéis recortados em forma humana (hitogata), que a pessoa passa pelo corpo, depois de neles ter escrito o nome;

o imi, que é um período de jejum a ser realizado antes das cerimónias. Tem duração diferente, conforme a importância do rito. Consiste em abster-se de determinados alimentos e bebidas, bem como de palavras e acções menos próprias. É um período de recolhimento pessoal, evitando todo o tipo de impureza, sem se ouvir música e sem se preocupar com assuntos que causem fadiga ou sofrimento. Este tipo de purificação é principalmente realizado pelos sacerdotes, que se retiram para outro lugar e fazem abluções. Após este tempo, qualquer pessoa está apta a participar nas cerimónias mais importantes.

 

FESTIVIDADES

 

A religião xintoísta comemora um grande número de festas, com uma grande variedade de costumes e de motivos para celebrar. Não raramente, verifica-se um grande intercâmbio entre religião e estado civil: várias festividades xintoístas são feitas feriados, e vice-versa. As festas dividem-se em dois grupos: as comunitárias, respeitantes à população em geral, e as particulares, de âmbito mais pessoal e familiar.

 

Diversos tipos de ritos festivos são celebrados nos santuários. Cotidianamente, fazem-se cerimónias de oferendas, de manhã. No primeiro dia de cada mês também há ritos próprios. Estes são ritos de dimensão modesta.

 

REISAI

 

Cada santuário, uma ou duas vezes por ano, celebra uma data festiva, relacionada com o kami ou com o seu templo. O dia em que é celebrada a festa pode ter múltiplos significados: pode corresponder ao dia de fundação do santuário, a um dia importante na sua história ou ser um dia associado à divindade do santuário.

 

Durante estas festas ocorre geralmente uma procissão dos kami, razão pela qual as festas são também chamadas de shinkó-sai (“Festa da Procissão dos Deuses”) ou togyo-sai (“Festa da Augusta Travessia”). Os kami são instalados num carro (hóren) ou num palanquim (mikoshi) e são passeados pela aldeia ou cidade.

 

Junta-se muita gente, que agita ramos de árvore e estandartes, fazendo daquele acontecimento algo muito colorido e vistoso. Estabelecem-se locais de paragem, para o kami descansar. A finalidade deste acto é simplesmente entreter e divertir a divindade, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que continue a dispensar a sua protecção. Estas festas são também ocasião para jogos, artes e danças, tendo especial significado para o estreitamento de laços entre kami e paroquianos, e destes entre si.

 

FESTAS DA PRIMAVERA

 

São várias as festas da Primavera (haru matsuri). No dia 17 de Fevereiro desenrola-se a festa Toshigoi-matsuri no palácio imperial e em todos os santuários do Japão, durante a qual é feita uma prece que solicita boas colheitas e a prosperidade do país.

 

FESTAS DE VERÃO

 

Estas festas (natsu matsuri) são essencialmente urbanas e tem como principal objectivo afastar as calamidades.

 

Uma das festas de Verão mais conhecidas é a festa de Gion que se desenrola no santuário Yasaka em Quioto no mês de Julho e que inclui uma marcha com carros ricamente decorados. Segundo a tradição esta festa teria surgido no começo da época Heian, num tempo marcado por grande número de epidemias; para afastá-las os demónios aos quais se atribuíam estas doenças realizavam-se orações.

 

Outra importante festa é a do Rei Celeste (Tennó-matsuri) que tem lugar no santuário Tsushima situado na cidade com o mesmo nome (em Aichi). Na véspera da festa ocorre uma cerimónia na qual todas as impurezas são colocadas em canas que são largadas no rio. No dia da festa vários barcos, decorados com lanternas, deslizam pelo rio Tenno ao som de música e à luz de fogos-de-artifício.

 

FESTAS DE OUTONO

 

As festas do Outono (aki matsuri) servem para agradecer às divindades pela existência de uma colheita abundante.

 

No santuário de Ise, a 17 de Outubro, decorre o importante rito do kanname-sai (“cerimónia da prova”), durante o qual as primícias das colheitas dos cereais são oferecidos à deusa Amaterasu. São também feitas oferendas das primeiras espigas de arroz cultivadas pelo imperador e pelos agricultores das províncias.

 

A 23 de Novembro, é o dia de Agradecimento pelo Trabalho, com novas ofertas e orações pela prosperidade do Japão.

 

INFLUÊNCIAS

 

A tradição religiosa do xintoísmo é anterior ao budismo, que posteriormente foi introduzido no Japão no século VI. O contato entre as duas religiões modificou ambas. Os budistas adotaram divindades xintoístas, e estes, que consideravam seus deuses espíritos invisíveis e sem formas precisas, aprenderam com o budismo a erigir imagens e templos votivos. Proclamou-se inclusive que as duas religiões eram manifestações diferentes da mesma verdade, o que originou uma tendência sincretista. Ambas religiões representam a religiosidade japonesa e os japoneses chegam a praticar os ritos de ambas tradições de acordo com a natureza da ocasião (por exemplo, preferem rituais xintoístas para rituais de nascimento e casamento e rituais budistas em eventos fúnebres).

 

Algumas das novas religiões japonesas tem forte influência xintoísta.

 

O xintoísmo não pretende converter, por isso sua expansão fora das ilhas japonesas limitou-se geralmente a descendentes de japoneses.

 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

ROCHEDIEU, EDMOND. Xintoísmo e As Novas Religiões do Japão. Ed. VERBO Lisboa/São Paulo Junho 1982. No original ROCHEDIEU, EDMOND, Le Shintoisme. Edito-Service S.A. Genebra.

 

Enciclopédia Mirador Internacional Volume 20. XINTOÍSMO

 

YAMASHIRO, JOSÉ. História da Cultura Japonesa. Ed. IBRASA. São Paulo

 

Marcus Valerio – Trabalho monográfico

 

 

 

Wikipédia

Foto Jota Bê

Este é o segundo artigo sobre as festividades dos 90 anos da Assembléia de Deus (EM NATAL) – (fato real), em detrimento dos 96 anos de sua história no Estado do RN.

O primeiro artigo escrito anteriormente é uma síntese do que fora escrito no livro METAMORPHOSIS E NEKROSIS de autoria de João Bosco. Temos aqui um outro artigo que contemplo essa falta de cuidado histórico.

João Bosco de Sousa

Assembléia de Deus e os 90 anos de história: uma reflexão crítica

Assembléia de Deus e os 90 anos de história: uma reflexão crítica

O ano de 2008, sem sombra de dúvida, é um ano diferente dos demais em relação à história das Assembléias de Deus em nosso Estado. Contagiado pela proximidade do centenário da instituição em terras brasileiras, os líderes estaduais da instituição organizaram uma série de eventos grandiosos para comemorarem os 90 anos de existência da instituição em nosso Estado. Batismos grandiosos com centenas de batizandos e milhares de expectadores, viagens missionárias envolvendo dezenas de caravanas riscando o Estado de ponta a ponta, discursos eloqüentes engrandecendo este feito memorável, anúncios e propagandas nos meios de comunicação, mega-corais nunca vistos antes em nossas terras etc. Tudo isto mostra, sem dúvida, a grandiosidade desta data para a instituição estadual. No entanto tal festa encobre um equívoco histórico extremamente sério e que, por amor à verdade e à memória de santos homens e mulheres de Deus, não pode ser escondido nem camuflado de forma alguma, sob risco de castigo da história e do juízo divino.

É notório que as festividades que a IEADERN (Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte) promove diz respeito aos 90 anos de sua atuação como igreja em nosso Estado(RN). Esta informação é explícita no próprio site da instituição que diz: “Precisamente no dia 24 de maio estaremos completando 90 anos de pregação do evangelho pentecostal em nosso Estado”. (fonte: http://www.adnatal.org.br/90anos/90anos.htm). O próprio hino oficial do evento entoa, de forma contundente: “Em mil novecentos e dezoito a Assembléia de Deus em nosso estado chegou; Era o movimento do Espírito Santo que Deus, também, aqui implantou…” e mais adiante: “Noventa anos hoje comemoramos…” (fonte: http://www.adnatal.org.br/90anos/downloads.htm).

De onde vem esta data tão precisa? Neste caso, vale a pena deixar que a própria instituição fale: “O movimento de evangelização pentecostal espraiou-se pelo Norte e rumou em direção ao Nordeste do País. O Ceará foi inicialmente evangelizado por uma irmã paraense, em visita aos seus familiares. O Rio Grande do Norte e a Paraíba tiveram em um lavrador paraense – por nome Joaquim Batista de Macedo – um dos primeiros evangelizadores. Nesse contexto, em 1914, a Cidade de Fortaleza já contava com duas igrejas, totalizando uma centena de crentes. Em 1916, alguns norte-riograndenses que haviam ido ao Pará buscar uma melhor sorte retornaram a Natal. (GRIFO NOSSO) Entre eles, Antônio Felipe Bezerra e sua esposa Luizinha, ambos recém convertidos à fé pentecostal; e o ex-presbiteriano Francisco Cézar, este alcançado pelo batismo no Espírito Santo. Todos tinham um desejo comum: evangelizar seus familiares. Em 1917, em uma reunião de oração, na residência do citado casal, deram-se as conversões de José Domingos da Costa, Pedro Jacinto e a esposa deste último. José Domingos veio a ser o primeiro crente batizado com o Espírito Santo em terras potiguares. Surgiram, assim, os primeiros frutos da obra pentecostal no Rio Grande do Norte. (GRIFO NOSSO). Enquanto isto, na Cidade de Belém/PA, em 11 de janeiro de 1918, a nova igreja era oficialmente registrada com o nome “Assembléia de Deus”…Em 13 de janeiro de 1918, na casa do soldado Luiz de França (Lulu), na chamada Rua do Arame, foi realizado o primeiro culto pentecostal,(GRIFO NOSSO) em Natal, sob a liderança do irmão Francisco Cézar. Da liturgia espontânea constaram: hinos, leitura de um texto bíblico em Ap 21.21-27 e testemunhos da fé. Na ocasião, converteram-se 6 pessoas, entre as quais o casal anfitrião. Nessa residência, passou a reunir-se um pequeno grupo de 10 irmãos, para cultuar e orar ao Senhor. Mesmo com o crescimento numérico, alí permaneceram até a instalação da primeira congregação oficial da Assembléia de Deus, no ano de 1919…Em abril de 1918, atendendo a pedido do irmão Francisco Cézar, os Missionários Vingren e Berg enviaram para Natal um pregador eloqüente e versado nas Escrituras, por nome Adriano Nobre. Coube a esse evangelista a tarefa de implantar a Igreja, no Rio Grande do Norte. Foi ele quem realizou, às margens do Potengi, junto à ponte de Igapó, na data de 15 de abril de 1918, o batismo em águas dos primeiros 6 crentes, em Natal; dois dias após, batizava mais duas irmãs; e, poucos dias depois, fazia um terceiro batismo, este num sítio por nome “Sumaré”, em Goianinha.(GRIFO NOSSO).. A Assembléia de Deus no RN – segundo a tradição oral – teve no evangelista Adriano Nobre, o seu primeiro pastor. O livro “História da Assembléia de Deus no Brasil”, entretanto, reserva essa primazia ao irmão José Estumano de Morais, enviado pela Igreja-Mãe (Belém/PA), em 1919…Com a chegada de José Morais, o local de cultos foi transferido para a Rua América, s/n (historicamente, a primeira Congregação da Assembléia de Deus, em Natal). O novo pastor realizou algumas incursões ao interior do Estado, iniciando pelo “Sítio Moreira”, em Vila Nova, onde havia um trabalho dirigido pelo irmão José Meneses. (GRIFO NOSSO). Outras visitas se sucederam a sítios e povoados, nos quais a Palavra era pregada, quase sempre em residências particulares.”(fonte: http://www.adnatal.org.br/historia.htm).

Eis o relato “oficial” da instituição Assembléia de Deus no Estado do RN. No entanto, uma pesquisa mais detalhada demonstraria que esta narrativa é repleta de equívocos que saltariam aos olhos de qualquer historiador mediano. Aliás, soa como estranho, quase inverossímil, que uma instituição deste porte, com uma data tão importante para a mesma, não tenha se dado ao luxo de contratar uma equipe de historiadores formados pela academia (e ela os possui como membros) para organizarem o relato de forma séria, deixando esta nobre função a amadores que podem “entender” de muita coisa, menos da história como ciência.

De forma sucinta enumerarei os pontos mais sérios e equivocados desta “narrativa”, no intuito de fomentar a discussão séria a respeito da real história de tão nobre instituição.

1)É impreciso afirmar que os primeiros crentes pentecostais a retornarem do Norte do país para o RN são os citados na narrativa oficial, ou seja, crentes que voltaram do Pará e se restabeleceram em Natal em 1916. Uma simples visita a regiões como Pedro Velho e adjacências, e especialmente ao distrito do Cuité, mostraria que antes desta data já existiam crentes pentecostais no Estado.

2) Uma simples pesquisa de campo revelaria que um ex-seringueiro chamado Manoel Luiz de França converteu-se no Pará e trouxe a fé evangélica para os seus familiares, no distrito de Cuité, em Pedro Velho; ao divulgar a mensagem do evangelho pentecostal, transformou a sua propriedade em um templo para a divulgação da mensagem das Boas Novas. Devido a este templo e a conversão de sua família, este lugar passou a ser chamado, até aos dias de hoje, de Cuité dos crentes, para diferenciar da Rua do Cuité, o Cuité propriamente dito, de predomínio católico. Isto ocorreu nos idos de 1911. Esta narrativa já foi alvo de um texto publicado pelo cientista da religião João Bosco de Souza, em seu livro “Metamorphosis e Nekrosis”, no ano de 2007, além de reportagens impressas, publicadas neste ano de 2008 .

3) Este templo foi reformado no início da década de 50, com a anuência do pastor Eugênio Pires (pastor presidente da AD), mediante arrecadação de fundos organizada pela irmã Asmi Lopes(neta do fundador), tendo a obra de reforma sido concluída em 1952. Embora tenha sido construído um novo templo ao lado do antigo(que foi transformado em departamento do templo atual), ainda é possível ver a estrutura do antigo templo. Neste sentido, devemos lastimar a falta de preservação história, pois acredito que tal templo deveria ter sido tombado pela instituição (mas neste ponto já é querer demais para uma instituição que sofre de amnésia histórica).

4) Uma simples pesquisa nos textos de Câmara Cascudo, na obra “História da Cidade do Natal”, no capítulo XXXIX, que tem como título “Outro rebanho de Deus”, permitiria ao historiador sério uma pesquisa mais acurada, pois neste texto o ilustre intelectual aponta datas bem distintas para o pentecostalismo em solo natalense, como a vinda das primeiras famílias pentecostais em 1914, por exemplo, e cultos particulares ocorrendo nas casas entre 1915-17. Só o fato de existirem datas discrepantes seria motivo suficiente, para um historiador sério, de uma análise mais cuidadosa do material disponível. E antes que acusem Cascudo de herético ou coisa semelhante, é bom lembrar que uma de suas fontes foi nada menos que o saudoso pastor Eugênio Martins Pires, ex-pastor presidente da Assembléia de Deus em nosso Estado.

5) Se os fundadores do trabalho pioneiro já se encontram na glória eterna, no entanto seus familiares, netos e bisnetos, bem como conhecidos, ainda se encontram entre nós, e poderiam perfeitamente relatar, a quem interessasse, detalhes desta história pioneira. As famílias de alguns dos primeiros crentes da igreja do Cuité (por exemplo, o Pr. Manoel Veloso Sobrinho e esposa Minervina Luiz de França, Onorina Soares esposa do maestro Manoel Andrade, Sirineu Peixoto esposo da irmã Abigail Sotero e Francisco Taveira, também um dos primeiros dirigentes da igreja) ainda se encontram entre nós, e poderiam elucidar lacunas históricas bem como fornecer documentos e fotos esclarecedoras. É lamentável que a instituição AD não tenha tido o cuidado de entrevistar testemunhas quase centenárias destes eventos, que ainda se encontram vivas, fazendo com que se perca uma narrativa elucidativa destes fatos. Ainda se encontra viva, por exemplo, a senhora que cuidou do fundador do trabalho em Cuité(Pedro Velho), Zulmira Freire de Lima, esposa de Sebastião Neto, atualmente na Assembléia de Deus em Canguaretama, quase centenária, bem como a senhora (em um asilo em Natal) cuja casa serviu de templo temporário, quando o antigo templo ameaçou ruir. O que quer a instituição? Esperar que estas pessoas morram? Como devemos entender tamanho desleixo histórico, a não ser o interesse mesquinho e egoísta de não admitir que a “estória” oficial possui falhas inadmissíveis?

6)É sintomático a falta de intuição histórica de nossos “estoriadores oficiais” quando se encontram diante do relato oficial(registrado acima). Nunca se perguntaram de onde haviam surgidos os crentes batizados pelo pastor Adriano Nobre, em Goianinha(região próxima a Pedro Velho)? Ou de onde haviam surgido os irmãos que se congregavam no “Sítio Moreira”, durante as primeiras incursões ao interior do Estado? Quero lembrar neste ponto que uma das netas do fundador, a irmã Asmi Lopes, menciona, em declaração que pode ser encontrada no livro “Metamorphosis e Nekrosis”, do pesquisador João Bosco de Sousa, na página 55, lembranças de sua mãe, Olívia Luiz de França, acerca de uma localidade na região de Pedro Velho, conhecida por Moreira, que já possuíam crentes pentecostais. Será que eles não sabem que Vila Nova era o antigo nome de Pedro Velho, corroborando assim o relato de Olívia Luiz de França? Será que este monte de evidências não aponta para a origem da Assembléia de Deus no interior do Estado e não na capital, e que um dos focos irradiadores não seria justamente a região localizada nos arredores de Pedro Velho, na qual a igreja do Cuité é o melhor exemplo? Estas informações fariam a alegria de qualquer historiador, veterano ou iniciante, pois se constituem em autênticas preciosidades informativas. Quanto aos nossos “estoriadores oficiais” a única atitude até agora é o silêncio envergonhado e acanhado daqueles que tentam empurrar goela abaixo um narrativa recheada de lacunas.

7)Se o primeiro crente foi batizado com o Espírito Santo em 1917 e o primeiro batismo nas águas ocorreu em 1918(conforme relato oficial acima), como explicar um documento, reconhecido oficialmente, com datas de batismo em águas e no Espírito Santo discrepantes da narrativa oficial, ou seja, como explicar o batismo oficial e reconhecido de uma norteriograndense, da igreja do Cuité, em Pedro Velho, em 1916? Queriam um documento comprobatório das afirmações feitas? Que tal o passado verdadeiro desmascarando o presente ilusório? Vide documento abaixo. Com a palavra, os “estoriadores oficiais”!

cartao_olivia-1916

Creio que basta! Poderia ainda citar outras informações, mas creio que as citadas já são suficientes. Qual é a bandeira de nossa luta (e neste ponto faço questão de lembrar que não estou sozinho nesta luta)? Qual é o nosso interesse? Por que incomodar as pessoas com este assunto?

Pode parecer estranho, mas não queremos obter nenhum reconhecimento nem qualquer espécie de lucro com esta peleja incomum (poucas vozes clamando no deserto contra a versão oficial de uma poderosa e quase centenária instituição). Aos pioneiros, conhecidos ou não, o Todo-Poderoso já reservou para eles o grandioso galardão, a coroa da justiça (II Tm.4:8). Eles foram heróis, desbravadores, lutadores e defensores daquela fé que uma vez foi dada aos santos (jd.3). Qualquer prêmio que deveria ser dado aos mesmos, eles já receberam e receberão das mãos do único senhor a qual lhes interessava servir (Mt. 25: 34).

O que queremos é que seja feita justiça histórica: que seja mencionado o trabalho dos pioneiros, não de forma disfarçada, mas explicitamente. Que no relato oficial os seus nomes (daqueles que são conhecidos) sejam citados. Que sejam mencionados, de forma explícita, referência aos anônimos que fundaram trabalhos e evangelizaram pelo interior do Estado. Que a instituição empreenda, de forma séria, um resgate histórico desta narrativa, não esperando que as fontes venham à instituição (atitude impensável em um pesquisador), mas que ela se dirija às fontes orais e documentais(é isto que se espera de uma pesquisa séria). Que se diga, de forma franca e compreensível, que o que se está comemorando são os 90 anos de trabalho da Assembléia de Deus na capital do Estado, e não no Rio Grande do Norte. Será que estas bandeiras são absurdas? Não! Isto é apenas bom senso. O que passa disto nada mais é que empulhação e má fé.

Antes de encerrar convém uma última observação. É comum o processo de descaracterizar uma crítica, criticando o autor da mesma. Isto é falacioso. Em lógica chamamos a isto de falácia Ad Hominem. Minhas credenciais neste caso são impecáveis. Sou professor efetivo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, lotado no Departamento de Filosofia, concursado em 1994. Sou membro da igreja Assembléia de Deus (RN) desde 1985(batismo nas águas), embora tenha freqüentado a igreja desde os meus primeiros anos de vida(tenho 41 anos ). Nunca fui admoestado por qualquer tipo de comportamento inadequado. Acima de tudo: sou bisneto, com muito orgulho e veneração, de Manoel Luiz de França, o fundador do trabalho em Cuité, Pedro Velho, bem como admirador dos outros pioneiros, que infelizmente continuam no anonimato devido à falta de uma pesquisa séria e honesta. Minha luta (e de outros) é uma questão de consciência, e como disse Martinho Lutero, não podemos ir contra a nossa consciência.

Sérgio Eduardo Lima da Silva

Setembro de 2008

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